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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Líder cristão no Afeganistão adverte que o Talibã vai querer eliminar a população cristã do país

Militantes do Talibã fazem patrulha pelas ruas da capital Cabul, um dia após o grupo insurgente ter tomado o poder no Afeganistão. (Foto: AFP)

Militantes do Talibã fazem patrulha pelas ruas da capital Cabul, um dia após o grupo insurgente ter tomado o poder no Afeganistão. (Foto: AFP)

Poucas horas depois de capturar Herat, a terceira cidade mais populosa do Afeganistão, os combatentes jihadistas do Talibã patrulharam as ruas tentando convencer os moradores de que a vida logo voltaria ao normal.

“Os negócios continuarão normalmente e as pessoas estão felizes conosco e com nossos serviços, elas ficarão ainda mais felizes”, disse um dos terroristas.

Hamid (nome fictício por questões de segurança) tem sérias dúvidas sobre essas afirmações. “No momento, tememos a eliminação. O Talibã vai eliminar a população cristã do país”, disse ele à CBN News.

Hamid, está entre os milhares de afegãos que passaram a ter fé em Jesus Cristo nas últimas duas décadas. “Não havia muitos cristãos 20 anos atrás, durante o tempo do Talibã, mas hoje estamos falando de 5 a 8 mil cristãos locais e eles vivem em todo o Afeganistão”, observou. 

“O Talibã mata aqueles que abandonam o islamismo”

Em entrevista exclusiva ao veículo cristão de comunicação, de um local não revelado, Hamid disse que está muito preocupado com o futuro da pequena comunidade cristã do Afeganistão.

“Conhecemos um cristão que trabalha no norte, ele é um líder e perdemos contato com ele porque sua cidade caiu nas mãos do Talibã”, contou Hamid. Segundo ele, há três outras cidades onde os cristãos estão incomunicáveis. 

De acordo com a Portas Abertas, o Afeganistão é o segundo lugar mais perigoso para ser um cristão no mundo hoje, atrás apenas da Coreia do Norte. A maioria dos cristãos ali se converteu do islamismo.

“Alguns dos crentes são conhecidos em suas comunidades, as pessoas sabem que se converteram do islamismo ao cristianismo e são considerados apóstatas e a pena para isso é a morte”, explicou Hamid. 

“O Talibã é famoso por executar essa punição. Os combatentes estão batendo de porta em porta, forçando famílias a desistir de suas filhas, algumas de apenas 12 anos, para serem escravas sexuais de seus homens”, disparou.

“Tenho quatro irmãs solteiras, elas estão em casa e estão preocupadas com isso”, continuou o cristão.

Medo do retorno das execuções e dos açoites

David, um cidadão estrangeiro, trabalhou no Afeganistão nas últimas três décadas. Seu nome também é fictício para proteção de sua identidade. Ele viu a brutalidade do Talibã de perto enquanto vivia em Cabul durante o último governo. 

Segundo ele, agora impera o medo de um retorno aos dias de execuções regulares, açoites e apedrejamento até a morte.

“Eles têm uma interpretação estrita da lei islâmica, não apenas do Alcorão, mas também do que eles chamam de Hadiths [palavras de Maomé], que são tradições, ditos e aplicações práticas da lei dos muçulmanos”, disse David. “Eles interpretam tudo literalmente”, destacou.

Apesar das ameaças, David diz que há uma fome entre os afegãos de conhecer a Deus de maneira íntima. “As pessoas estão realmente buscando em seus corações a paz, buscando um relacionamento verdadeiro com Deus, o sentido da vida e a compreensão de quem é esse Deus”, explicou.

Hamid está pedindo às pessoas em todo o mundo que orem por seu país durante esses tempos incertos. “A comunidade cristã no Afeganistão é forte. Eles estão confiando em Jesus, estão caminhando com Jesus, apesar da enorme possibilidade de serem eliminados pelo Talibã”, concluiu.

FONTE

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Afeganistão tem mais mortes devido ao ópio que à guerra, diz ONU

As enormes quantidades de ópio produzidas no Afeganistão causam mais mortes nos países ocidentais que a guerra que a Otan trava no país, afirmou nesta quarta-feira o Escritório das Nações Unidas sobre Droga e o Crime (UNODC).

Com 92% de todo o ópio produzido no mundo, o Afeganistão alimenta um mercado de US$ 65 bilhões (mais de R$ 112 bilhões) que financia insurgentes e criminosos, especialmente na Ásia Central, Rússia e Bálcãs, segundo o informe publicado em Viena. A droga, consumida por 15 milhões de pessoas, causa 100 mil mortes por ano e acentua a progressão do vírus da Aids, recorda o UNODC.
Julie Jacobson/AP
Policiais afegãos destroem plantação ilegal de papoula na Província de Badakhshan
Policiais afegãos destroem plantação ilegal de
papoula na Província de Badakhshan

“Confiscar o ópio afegão em seu local de produção é infinitamente mais eficaz e mais barato do que tentar fazê-lo em seu lugar de consumo”, enfatiza o diretor-geral da agência, Antonio María Costa, que pede à comunidade internacional que mobilize mais meios no terreno.


A título de comparação, o número anual de vítimas dos produtos derivados do ópio nos países da Otan (10 mil mortos) é cinco vezes superior às baixas sofridas pela Aliança Atlântica em oito anos de guerra no Afeganistão. A Rússia também sofreu com mais mortes por causa da droga em um ano (30 mil mortos) que em dez anos de guerra da da ex-URSS nesse país asiático (1979-1989), assinala o informe.

Apesar de uma leve queda desde 2007, a produção de ópio afegão disparou em dez anos para alcançar as 6.900 toneladas em 2009, superando o consumo mundial. “O envolvimento direto dos talebans no tráfico de ópio permitem que eles financiem uma máquina de guerra cada vez mais sofisticada e estendida”, enfatiza Costa, recordando que os islamitas já não hesitam em trabalhar com as organizações criminosas.

Segundo o UNODC, os talebans obtêm até 160 milhões de dólares anuais pelo narcotráfico. A organização se alarma, por outra parte, pelo fato de que as reservas ilegais de ópio continuem crescendo de forma vertiginosa. Atualmente já são de 12 mil toneladas, ou seja, mais de dois anos de consumo mundial. “Com tanto ópio nas mãos erradas, é mais que urgente localizar e destruir essas reservas”, afirma Costa.

Outro dado preocupante: o tráfico de ópio e suas repercussões financeiras ocultas se estendem pelo Paquistão e toda a Ásia Central, onde pode alimentar um “terrorismo em grande escala e que ameaça os recursos energéticos da região”, segundo o UNODC.

As zonas tribais na fronteira afegão-paquistanesa, por onde transita 40% do ópio afegão, se converteu na “maior zona de livre comércio d mundo para todos os produtos ilegais: droga, armas, elementos para a fabricação de bombas, dinheiro do narcotráfico e seres humanos”, recorda Costa.

Além do esforço no Afeganistão e Paquistão, o UNODC preconiza uma luta contra os traficantes nos outros países de trânsito e consumo. Apenas 20% do ópio afegão são interceptados no mundo, e grande parte no Irã.

Folha Online