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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti - Um desastre provocado pelo Homem


Enquanto a comunidade internacional procura, a todo o custo, ajudar o Haiti após o terremoto de 12 de Janeiro, Peter Hallward denuncia, no Guardian, a responsabilidade internacional na devastação económica da ilha, que deixa centenas de milhar de haitianos completamente expostos a um desastre natural de larga escala.
Port-au-Prince (Haiti), 13 Janeiro 2010. (AFP)

Port-au-Prince (Haiti), 13 Janeiro 2010. (AFP)

Um terremoto com a intensidade daquele que, em 12 de Janeiro, atingiu a capital do Haiti teria causado enormes danos em qualquer cidade do mundo. Não é contudo por acaso que uma parte tão considerável de Port-au-Prince parece agora uma zona de guerra. Boa parte da devastação causada pelo mais recente e calamitoso desastre natural é facilmente compreensível como mais uma consequência de uma horrível sequência histórica, tipicamente um produto da acção humana.

O país teve mais do que a sua quota de catástrofes. O grande sismo de 7 de Maio de 1842 matou mais de 10 mil pessoas, só na cidade de Cap Haïtien, na costa norte. Os ciclones fustigam regularmente a ilha. As tempestades de Setembro de 2008 causaram inundações na cidade de Gonaïves e destruíram boa parte das suas deficientes infra-estruturas, matando mais de mil pessoas. A amplitude total da destruição resultante deste terremoto só deverá ser conhecida daqui a várias semanas. No entanto, é já muito claro que este impacto resultou de uma ainda mais longa história de empobrecimento e perda de poder.

Haiti é o mais pobre do hemisfério ocidental

O Haiti é geralmente descrito como o "país mais pobre do hemisfério ocidental". Essa pobreza é uma herança directa daquele que talvez tenha sido o mais brutal sistema de exploração colonial da História mundial, combinado com décadas de opressão pós-colonial sistemática. A nobre "comunidade internacional", que hoje se apressa a mandar "ajuda humanitária" para o Haiti, é largamente responsável pela dimensão do sofrimento que agora pretende reduzir.

Desde que os EUA invadiram e ocuparam o país, em 1915, todas as tentativas no sentido de permitir que a população do Haiti passasse "da miséria absoluta para uma pobreza digna" (segundo as palavras do antigo Presidente Jean-Bertrand Aristide) foram violenta e deliberadamente bloqueadas pelo Governo dos EUA e pelos seus aliados. O próprio Governo de Aristide (eleito por cerca de 75% do eleitorado) foi a última vítima, quando foi deposto, em 2004, por um golpe de estado patrocinado a nível internacional, que matou vários milhares de pessoas e causou o ressentimento da maioria da população. Depois dele, a ONU tem mantido no país uma vasta força de estabilização e pacificação, cujos custos são enormes.

Centenas de milhar vivem em habitaçãoes clandestinas

Hoje, o Haiti é um país onde, segundo o melhor estudo disponível, cerca de 75% da população "vive com menos de dois dólares (1,40 euros) por dia e 56% – 4,5 milhões de pessoas – com menos de um dólar (68 cêntimos) por dia". Acordos comerciais e financeiros internacionais severos garantem que essa destituição e essa impotência continuarão, no futuro previsível, a ser um facto estrutural da vida no Haiti. Essa pobreza e essa fragilidade estão na origem da enorme escala do horror que hoje se vive em Port-au-Prince.

Desde finais dos anos 1970, os ataques neoliberais à economia rural do Haiti empurraram dezenas de milhar de pequenos agricultores para subúrbios urbanos sobrepovoados. Embora não haja estatísticas fiáveis, centenas de milhar dos residentes de Port-au-Prince vivem em habitações clandestinas sem o mínimo de condições, muitas delas empoleiradas em ravinas desflorestadas. A mistura de pessoas que vivem nesses locais e nessas condições não é, em si mesma, mais "natural" ou acidental do que a amplitude dos danos que sofreram. As infra-estruturas básicas da cidade – água corrente, electricidade, estradas, etc. – continuam a ser tristemente inadequadas e, em muitos casos, inexistentes. A capacidade do Governo de mobilizar ajuda para as vítimas é quase nula.

Na prática, a comunidade internacional tem governado o Haiti desde o golpe de 2004. Os países que agora se apressam a enviar ajuda de emergência para o país são os mesmos que, nos últimos cinco anos, têm persistentemente votado contra o alargamento do mandato da missão da ONU para além da sua finalidade militar imediata. As propostas no sentido de canalizar parte deste "investimento" para a redução da pobreza ou para o desenvolvimento rural têm sido bloqueadas, em conformidade com os velhos padrões que continuam a modelar a distribuição da "ajuda" internacional.

Se quisermos mesmo ajudar o Haiti a sair desta mais recente crise, teremos de ter em conta este ponto de comparação. Além de enviarmos ajuda de emergência, devemos perguntar-nos o que podemos fazer para facilitar a capacitação da população e das instituições públicas do Haiti. Se quisermos mesmo ajudar, temos de deixar de controlar o Governo do Haiti, de apaziguar os seus cidadãos e de explorar a sua economia. Depois, temos de começar a pagar, pelo menos por alguns dos danos que já provocámos.

Peter Hallward
Presseurop

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Remoção de uma Árvore

Os trabalhadores chegaram em Santa Rosa, Califórniana, na manhã desta segunda-feira para iniciar a remoção de uma árvore que foi plantada antes da Guerra Civil, e tinham quase terminado o trabalho quando ocorreu o acidente.

Role para baixo para ver o vídeo

Guindaste caiu por casa

Dailymail

domingo, 14 de junho de 2009

O Furacão Ike em 2008


O furacão Ike, uma tempestade colossal com a dimensão do Texas - oito vezes maior do que Portugal -, fustigou a costa daquele estado norte-americano, de onde mais de 1,2 milhões de pessoas foram evacuadas.

Uma habitação arde enquanto as ondas provocadas pelo furacão Ike varrem a costa.


Algumas casas ficaram totalmente destruídas com a passagem do furacão Ike pelo Texas.

Um membro da Guarda Nacional comunica via rádio indicando a subida da água depois da passagem do furacão Ike.

Os habitantes do Texas tentaram resgatar todos os bens que sobreviveram à passagem do furacão Ike.









Sol


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Empresas da França já teriam dados da caixa-preta do A330

Desastre. Segundo especialista, tanto Air France quanto sede da Airbus recebem 60% do que é gravado em voo.

Leis francesas não obrigam divulgação do conteúdo antes do fim de investigações.

Patricia Giudice

Mesmo sem encontrar a caixa-preta do Airbus A330, as informações contidas nela já estariam sob poder da empresa aérea Air France e da fabricante do modelo, que também tem sede na França. O tipo de avião carrega um sistema de modem que envia para as empresas, mesmo em caso de pane elétrica, 60% das informações do que ocorreu dentro da aeronave. São as mesmas que estão sendo gravadas pela caixa-preta.

A informação técnica que pode ajudar a elucidar o acidente com Airbus A330 da Air France, que seguia do Rio de Janeiro para Paris com 228 pessoas a bordo e caiu no oceano no último domingo, foi dada ontem pelo professor da Escola Nacional de Seguros e especialista em gerenciamento de riscos, Gustavo Cunha Mello. Contando detalhes sobre a aeronave, Mello informou que todas as empresas aéreas possuem esse sistema que monitora em tempo real os procedimentos do voo.

O problema é que, conforme a legislação francesa, as empresas não são obrigadas a divulgar o conteúdo das gravações nem mesmo para os parentes das vítimas até o final das investigações. "Ao mesmo tempo em que transmite os dados, grava. As empresas já receberam o que tem na caixa-preta, mas não divulgaram", afirmou. Na terça-feira, a diretora geral da companhia Air France, Isabelle Birem, disse que as causas do acidente só seriam conhecidas quando a caixa-preta fosse achada.

Outras formas. Segundo Mello, existem outros meios de entender o que teria causado o acidente, como entrevistar os pilotos que fizeram a viagem entre a França e o Brasil e os que fizeram voos na mesma aeronave.

"É preciso saber dos mecânicos que tocaram nesse avião o que eles fizeram, por que fizeram, quais as peças trocaram, analisar a documentação do avião. Toda a manutenção é documentada, cada parafuso tem um número de série e dá para saber se os equipamentos vinham apresentando alguma pane", explicou.

O especialista disse que ainda tem esperança de que uma das caixas-pretas seja encontrada. Segundo ele, a aeronave possui quatro pares de caixas, idênticos. Cada par tem informações de voz e parâmetros usados pelo piloto nos 30 minutos anteriores ao acidente.

"Toda vez que a caixa-preta sofre algum impacto, ela é desligada. Depois liga automaticamente e começa a emitir um sinal de rádio, tipo um SOS, por 30 dias", informou. Segundo ele, qualquer navio comercial que tenha um radar e passe pelas caixas a uma distância entre 4 km e 6 km poderá identificar a presença dela.

Atentado

Explosão em voo explicaria dispersão dos destroços.

Uma fonte revelou ontem ao jornal francês "Le Figaro" que o Airbus da Air France-KLM estava em condições de se desintegrar antes de cair no oceano Atlântico. Essa teoria se baseia no grande raio de dispersão de destroços do Airbus - objetos foram encontrados em uma área de mais de 300 km. "Isso indica uma explosão que atinge a aeronave durante o voo", explicou.

A desintegração, a cerca de 10 mil metros de altitude, pode ter três causas: um violento fenômeno meteorológico, uma falha do aparelho ou um atentado terrorista. Um especialista em acidentes aéreos lembrou, no "Le Figaro", que a dispersão de restos de avião em centenas de quilômetros ocorreu no atentado ao 747 da PanAm, em Lockerbie, na Escócia, em dezembro de 1988. Ontem a declaração do ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, descartando a explosão do Airbus, provocou indignação na imprensa francesa.

Aeroportos. Segundo um piloto da Air France, a segurança no aeroporto do Rio não é tão rígida como na Europa e nos EUA. Os terroristas decididos a alcançar um francês, disse ao jornal, podem querer tirar vantagem desse "ponto fraco".

"Entre as possibilidades a serem analisadas, essa é a mais remota porque nosso aeroporto internacional é extremamente seguro", afirmou o especialista em gerenciamento de risco Gustavo Cunha Mello.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo, Elton Fernandes, além de uma bomba não passar pela fiscalização do aeroporto, não há histórico de atentado terrorista no Brasil nem motivação para isso.

Ontem a Polícia Federal informou que checou o histórico de todos os passageiros do voo 447 em uma ação conjunta com os EUA e o Canadá. Nenhum deles teria qualquer elo com células terroristas.

Para Deusdedit Carlos Reis, professor de ciências aeronáuticas da Universidade Fumec, é preciso trabalhar com todas as hipóteses. "Mas, até o momento, é tudo especulação", disse Reis. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kochner, afirmou no Rio que nenhuma hipótese está descartada. (PG)

Fonte