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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ainda sobre a hepatite

Hepatite é uma inflamação no fígado causada por vários fatores. Em alguns casos, a doença não apresenta sintomas e, por isso, muitas vezes, é diagnosticada tardiamente. O fígado pode inflamar com o uso excessivo de álcool, drogas ou medicamentos, com a contaminação por vírus e pelo contato direto com fezes contaminadas. A inflamação também pode ser autoimune, ou seja, desencadeada pelo próprio organismo. Ela acontece quando o sistema imunológico do corpo não reconhece seus próprios tecidos e passa a combatê-los como se fossem inimigos.

Há sete tipos de hepatite causada por vírus e eles são denominados por letras. São eles: A, B, C, D, E, F e G. Os mais comuns, no entanto, são o A, o B e o C. Os mais graves são o B e o C, e dificilmente eles apresentam sintomas. A hepatite tipo A e a tipo E são transmitidas por meio de fezes contaminadas. A maior parte dos casos de contaminação ocorre por ingestão de água ou alimentos contaminados pelas fezes.

— A hepatite tipo A e a tipo E são benignas e raramente evoluem para um quadro grave raro. Se a mulher é gestante, a hepatite pode ficar grave, mas fora isso não acontece nada — diz Roberto Focaccia, infectologista e coordenador do grupo de hepatite do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Normalmente, o organismo consegue curar, com seus mecanismos de defesa, esses dois tipos de hepatite. Evitar comer e beber em locais sem higiene adequada é uma maneira eficaz de prevenir esses tipos da doença. As hepatites B e C são as mais graves e com maiores chances de tornarem-se crônicas e de evoluírem para cirrose e câncer de fígado, se não tratadas a tempo.

— Os casos tipo B e C são os maiores problemas de saúde pública — afirma o infectologista.

Segundo ele, a hepatite B é transmitida por meio de sangue contaminado, fluidos corpóreos, normalmente trocados nas relações sexuais, e da mãe para o filho no parto. A tipo C é transmitida pelo sangue contaminado.

— A tipo C é sete vezes mais prevalecente que o HIV e mata quatro vezes mais que a Aids. Ela é silenciosa. A pessoa não sente nada e a lesão vai caminhando — diz Focaccia.

Apesar de a transmissão ocorrer com mais frequência por sangue contaminado, a hepatite tipo C pode ser adquirida em ambientes de uso comum, onde pode ocasionalmente ocorrer o contato com sangue contaminado -como no barbeiro, no dentista e na manicure.

Verdades e mentiras

— A hepatite tipo C pode ser transmitida por objetos com sangue contaminados.

Verdade. Agulhas, alicates e navalhas podem ser agentes de transmissão se não forem adequadamente esterilizados.

— A hepatite tipo B pode ser transmitida durante as relações sexuais e pelo uso compartilhados de seringas e agulhas.

Verdade. Por isso é importante o uso de camisinha. Além disso, a hepatite B também pode ser transmitida da gestante para o filho.

— A hepatite é uma doença que apresenta sintomas em todos os casos.

Mentira. Em alguns casos, a doença não apresenta sintomas. Quanto mais cedo o paciente for diagnosticado, melhor para tratar a doença.

— Todos os tipos de hepatite, de A a G, evoluem para casos graves.

Mentira. As hepatites tipo A e tipo E são benignas e raramente evoluem para um quadro grave. Nesses casos, o próprio organismo consegue se curar com suas próprias defesas.

Fonte

Uma em cada 10 manicures de São Paulo tem hepatite

Um estudo inédito feito pela Secretaria da Saúde de São Paulo aponta que uma em cada 10 manicures ou pedicuros tem hepatite. De acordo com a pesquisa, essas profissionais não adotam medidas de biossegurança e higiene necessárias para evitar o contágio e sequer sabem dos riscos de saúde relacionados à atividade que exercem. A contaminação acontece por meio dos instrumentos usados pelas profissionais (alicates), que elas dividem com as clientes.
Arivaldo Chaves

Foram avaliadas cem profissionais — metade trabalhava em shopping centers e a outra em salões de beleza localizados em ruas de bairros da cidade de São Paulo. O trabalho de campo foi feito ao longo dos anos de 2006 e 2007, incluindo coleta de sangue e aplicação de questionário. Dez profissionais deram positivo para hepatite, das quais oito para o vírus do tipo B da doença e outras duas para o tipo C.

A pesquisa verificou também que só 26% das manicures entrevistadas faziam esterilização dos instrumentais com autoclave (desinfecção por meio do vapor a alta pressão e temperatura), método considerado o mais seguro, mas que nenhuma sabia utilizar o equipamento adequadamente. Outras 54% utilizavam estufa, mas a grande maioria não sabia o tempo e a temperatura corretas para esterilizar os materiais. Outros 8% usavam forninho de cozinha, o que é totalmente inadequado, e 2% simplesmente não utilizavam nenhum método de esterilização. Somente 8% faziam a limpeza dos instrumentais antes de esterilizá-los, e mesmo assim de forma inadequada.

Das profissionais entrevistadas, 74% afirmaram que sempre lavam as mãos antes e depois de fazer mão e pé das clientes. No entanto, foi constatado que ninguém adotou esse procedimento enquanto a pesquisadora permaneceu no salão observando o atendimento. Das entrevistadas, 20% disseram que usam luvas no trabalho, mas só 5% foram observadas utilizando a proteção.

Das cem manicures entrevistadas, 72% desconheciam as formas de transmissão de hepatite B, e 85% não sabiam como se pega hepatite C. As formas de prevenção contra o tipo B eram desconhecidas por 93%, e por 95% contra o tipo C. E 45% acreditavam que não transmitiriam nenhuma doença a seus clientes. O estudo apontou, ainda, que 74% das manicures não estão imunizadas contra a hepatite B, embora a vacina esteja disponível para esta categoria profissional, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

— O grande problema é que essas profissionais usam o mesmo instrumental para tirar a própria cutícula. Como em geral não adotam os cuidados de biossegurança, é bem provável que estejam se contaminando com a hepatite e transmitindo o vírus também as suas clientes — afirma Andréia Cristine Deneluz Schunck de Oliveira, enfermeira do Instituto Emílio Ribas, responsável pela pesquisa.

A pesquisadora sugere que as clientes dos salões de beleza procurem observar as condições de higiene e esterilização dos materiais e, se possível, levem seus próprios instrumentais quando forem fazer as unhas dos pés e das mãos.

Evite doenças na manicure

O que um salão deve ter?

— Kits individuais de lixas e palitos

— Germicidas e sabão para a limpeza dos materiais cortantes

— Autoclave (espécie de forno usado para esterilizar as ferramentas cortantes)

— Materiais descartáveis

Dicas para a cliente

— Leve sua própria toalha

— Leve seu próprio alicate

— Leve seu próprio esmalte

— Exija que a manicure use luvas o tempo todo

Para as manicures

— Aprenda esterilizar corretamente os objetos cortantes do salão

Na estufa

— Temperatura de 170ºC por uma hora ou de 160ºC por duas horas

No autoclave

— Varia de acordo com o fabricante. A média é 135ºC por meia hora

— Peça para suas clientes trazerem os materiais que serão usados na sessão

— Vacine-se contra a hepatite B

Sobre a hepatite

— Uma em cada 10 manicures de São Paulo tem hepatite

— Na população total, a relação é de uma para cada cem pessoas

— 85% dos pacientes que têm hepatite C terão a doença para o resto da vida

— 10% dos infectados por hepatite B carregarão a doença para sempre

— Existe vacina para a hepatite B

— A hepatite é uma doença do fígado provocada por um vírus. É assintomática (não tem sintomas: é preciso fazer exame para detectá-la). Em alguns casos, pode evoluir para cirrose ou até câncer de fígado

Fonte: Laboratório de Infectologia do Hospital das Clínicas de São Paulo

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