Este Blog permanece ativo 24 horas por dia e somente informa os que aqui chegam, com assuntos que circulam pela internet e jornais. Não categoriza nem afirma isso ou aquilo como verdade absoluta. Não pretende desenvolver uma doutrina, nem convencer ninguém. Mas apenas que possamos refletir em assuntos importantes de nosso dia-a-dia. Portanto, tudo que for postado são de conteúdo informativo, cabendo a cada um ter suas próprias conclusões.
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domingo, 1 de novembro de 2020

AVATARES - Não tem nada a ver

Há publicações, que dão conta de que o avatar do Facebook é um culto ao demônio do hinduísmo, e isso não é verdade.

Para começar, a informação se baseia em intolerância religiosa, já que, no hindu, não há adoração ao demônio, mas sim a uma divindade chamada Brâman. 


Além disso, avatar em termos tecnológicos significa “representação digital de alguém”, o que explica a figurinha customizada de cada usuário na rede social.

 

Utilização em mundos virtuais e demais ambientes digitais   

Experiências digitais imersivas, como games e mundos virtuais, tomam emprestado o termo 'Avatar' como a representação projetada do usuário dentro do ambiente imersivo. 


Neste contexto, o avatar pode tanto buscar a representação íntegra do usuário no ambiente virtual projetado (usualmente quando em Metaversos) ou extrapolá-la como personagens imaginários e/ou antropomórficos quando em ambientes imersivos mais lúdicos (como MMORPGs)


O que temos:

Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito Avatāra, que significa "descida", normalmente denotando uma das encarnações de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade.


Os dez avatares de Vishnu (em sentido horário, a partir do canto superior esquerdo): Matsya, Kurma, Varaha, Vamana, Krishna, Kalki, Buda, Parshurama, Rama e Narasimha, (no centro) Krishna

Muitos não-hindus, por extensão, usam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.


wikipedia

A BÍBLIA, ORIENTA AQUELES QUE CREEM, CRISTÃOS, PARA FUGIREM ATÉ DA APARENCIA DO MAL.

Fica a dica.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Avatar


Texto de Moacyr Scliar

O filme de James Cameron, um dos mais badalados da década que se encerra, veio dar maior visibilidade a uma palavra que, nos últimos tempos, virou um termo da moda: avatar. Na internet, são centenas de milhões de citações. Avatar dá título a uma série de desenhos animados da Nickelodeon, é o personagem central da série de games Ultima, designa um álbum da banda portuguesa Blasted Mechanism e é, enfim, qualquer representação gráfica de quem está jogando um game. O curioso é que estamos falando de uma palavra antiquíssima, que há milênios foi introduzida pelo hinduísmo.


Avatar vem do sânscrito, descida, e designa a chegada de uma divindade à Terra e seu aparecimento como um ser mortal. Não é bem a encarnação da teologia cristã, segundo a qual, em Jesus, Deus se fez carne; é mais uma manifestação, uma representação, do deus Vishnu. Diz o Bhagavad Gita, livro sagrado que data de dois séculos antes de Cristo, que o papel de um avatar de Vishnu é trazer o dharma, aquilo que é certo, que é justo, à ordem social e cósmica. São avatares de Vishnu, entre outros: Matsia, o peixe, Kurma, a tartaruga, Varaha, o javali.

A pergunta que se impõe é: por que a metáfora do avatar ganha, de repente, tanta projeção? Pode ser por várias razões. A primeira é pela sensação de desordem, de anomia, como dizem os sociólogos, que as pessoas veem na sociedade e no planeta como um todo: o crime, a corrupção, a guerra, o terrorismo, a doença, a pobreza, o aquecimento global. Coisas que exigem uma intervenção superior. A segunda razão é o avanço da tecnologia, da qual o filme de Cameron é um eloquente exemplo: filmes, hoje, são muito mais efeitos especiais do que o clássico resultado de artistas desempenhando um papel. Filme e videogame têm muito em comum; no videogame, através dos controles, transformamos uma figura imaginária numa projeção de nós mesmos - num avatar.

Agora: como no caso da tradição hindu, o avatar tem poderes especiais, e é isso que certamente nos atrai nesse gênero de diversão. Na ficção habitual, a identificação era feita através da imaginação. Líamos um livro e nos colocávamos no lugar do personagem. Como disse Flaubert a respeito de seu romance famoso: "Madame Bovary sou eu". Agora a técnica nos faz ir mais adiante, e a identificação adquire uma dimensão sensorial, mais intensa.

Como diversão, tudo bem. Mas será que isso é mesmo uma resposta para os nossos problemas? Será que não deveríamos procurar em nós mesmos a figura que realmente somos e com a qual deveríamos nos identificar, de modo a assumirmos plenamente a nossa personalidade? Essa é a pergunta que surge diante dessa nova conjuntura. Resta encontrar o avatar que vai respondê-la.

Fonte