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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Após portabilidade, Sercomtel é a que mais cresce no mercado

Desde o início da portabilidade numérico, em setembro do ano passado, a Sercomtel foi a empresa de telefonia móvel que mais cresceu na região. Em agosto de 2008, antes da nova regra, a telefônica municipal tinha 71.628 clientes. Em abril deste ano, já eram 90.261 - 26,01% a mais. Apesar disso, o faturamento da Sercomtel não aumentou na mesma proporção.

As informações são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No balanço, os dados são apresentados por região de DDD. A Sercomtel, mesmo só atuando em Londrina e Tamarana, é comparada com as outras quatro operadoras, que atuam também nas demais cidades da região 43.

Pelo relatório, em agosto de 2008, a Sercomtel tinha 5,32% do mercado da região 43. Em abril deste ano, a fatia ficou maior: subiu para 6%. Entre as concorrentes, somente a Claro também ganhou espaço no mercado após a portabilidade, aumentando sua participação de 10,68% para 12,04% - a empresa chegou a Londrina em maio do ano passado. Perderam mercado: TIM (de 48,29% para 47,29%), Vivo (de 26,03% para 25,13%) e Brasil Telecom, comprada pela Oi em maio deste ano (de 9,68% para 9,50%).

Para o presidente da Sercomtel, Fernando Kireeff, a portabilidade favoreceu a empresa. Mas o crescimento registrado nos últimos meses não é fruto exclusivo desse fator. “Seguramente, a portabilidade é um elemento. Mas não é só por isso. Há uma série de ações na área de vendas que estão gerando esse resultado”, disse.

Ele não soube informar o percentual de contribuição da portabilidade em relação aos novos clientes, mas observou que o número é pequeno, algo em torno de 1% a 2%. “A portabilidade não é o principal elemento para conquistar um novo cliente”, afirmou.

Kireeff ressaltou que o principal indicador da empresa, o de faturamento, não apresentou o mesmo crescimento. “Não necessariamente precisamos crescer no número de clientes. O faturamento interfere mais. Porém, há muita pressão por preço e o faturamento não cresceu na mesma proporção. Há muita migração do serviço pós-pago para o pré-pago.”

Balanços anuais mostram que a situação econômica da Sercomtel Celular não é confortável. No ano passado, o faturamento ficou 16,48% menor que no exercício anterior: caiu de R$ 53,7 milhões para R$ 44,9 milhões. Isso provocou um aumento de 152,7% no prejuízo da empresa: de R$ 2,8 milhões para R$ 7,2 milhões.

“Há uma guerra de preços que está pressionando para baixo a margem de todas operadoras”, afirmou. “A situação [da Sercomtel Celular] ainda não é sustentável. Precisamos fazer mais ações para melhorar isso.” No entanto, Kireeff evitou estimar até quando a Sercomtel terá fôlego para aguentar o prejuízo da Celular. Ele também não quis comentar uma suposta privatização. O presidente enfatizou que a Celular é importante para todo o grupo e fortalece a Fixa.

Desde setembro, foram 19.100 mudanças de operadoras

A região 43 foi pioneira na portabilidade. Desde 1º de setembro, já foram atendidos 19.100 dos 24.852 pedidos de mudança de operadoras de telefone celular com a manutenção do número. Mas a portabilidade não é considerada pelas operadoras como a responsável pela conquista ou perda de clientes. “Em um primeiro momento, a portabilidade gerou uma movimentação. Mas serviu mais para as empresas tomarem mais cuidado com a qualidade do serviço que prestam. A variação ocorre mesmo em função da postura no mercado, com promoções e vantagens”, afirmou o gerente regional da Vivo, João Ney Marçal Junior. Segundo ele, os novos clientes com a portabilidade representam apenas 1% do total.

“A portabilidade era um anseio dos clientes para terem mais liberdade. Mas uma empresa não deixava de mudar para um plano mais vantajoso de outra operadora só para manter o número”, observou. “Era uma barreira quebrável. Agora é uma ferramenta de facilidade para os usuários.” Apesar da avaliação, a Vivo tem promoções específicas para quem se torna cliente pela portabilidade.

Já o diretor regional da Claro, Eduardo Coutinho, fez uma avaliação positiva da nova ferramenta. “Como fomos a última operadora a entrar na região, a portabilidade nos ajudou. Era natural ganharmos clientes com a chegada a Londrina, mas a portabilidade acelerou o processo”, afirmou. Segundo ele, de cada cliente que perde, a empresa ganha três.

A gerente de Varejo da Oi, Michelle Xavier, evitou falar sobre os efeitos da portabilidade. “É uma oportunidade. Mas tem operadora que não dá a real liberdade ao cliente, pois não oferece aparelho desbloqueado.”

A TIM, maior operadora na região, manifestou-se apenas por nota enviada pela assessoria de imprensa. “Estamos totalmente comprometidos com este novo modelo de negócios e priorizamos o aprimoramento das nossas ofertas.”

Londrina tem mercado competitivo

Para as operadoras de celular, o mercado de Londrina é um dos mais competitivos do Brasil. “É um das poucas praças no Brasil em que há cinco operadoras concorrendo. Fatalmente, isso gera uma competitividade maior e mais agressiva”, afirmou o gerente regional da Vivo, João Ney Marçal Junior. “Mas estamos no mercado para competir com força, independentemente de ter quatro, cinco, seis ou sete operadoras.”

A Vivo é a segunda operadora em participação no mercado do DDD 43, com 375.160 clientes em abril. No entanto, foi a única operadora que perdeu usuários em relação ao mês anterior, quando tinha 380.480. “Em abril, demos baixa nos nossos clientes inativos. A redução é reflexo disso. Outras operadoras podem ter dado baixa em outro período”, disse Marçal Junior.

Investimento em mídia

A Claro também apontou a forte competitividade em Londrina devido à maior presença de operadoras. “Para conquistar clientes, previmos para este ano um forte investimento em mídia. Londrina e Tamarana representam 40% de todos os nossos clientes”, afirmou o diretor regional da Claro, Eduardo Coutinho. Segundo ele, a região de Londrina representa 3% do mercado da Claro no País. “Mas o que vamos investir em mídia representa 9% de todo o investimento da empresa, o que mostra o potencial de Londrina”, ressaltou.

Total de usuários na região 43

Abril 2009 1.493.160 Março 2009 1.496.104 Fevereiro 2009 1.489.730 Janeiro 2009 1.496.138 Dezembro 2008 1.477.259 Novembro 2008 1.422.045 Outubro 2008 1.403.449 Setembro 2008 1.372.995 Agosto 2008 1.346.265

Fonte: Anatel

Balanço da Sercomtel

Celular 2007 2008 Variação Faturamento R$ 53.771,00 R$ 44.908,00 -16,48 Saldo - prejuízo R$ 2.878,00 R$ 7.275,00 152,78 Fixa 2007 2008 Variação Faturamento R$ 204.075,00 R$ 209.006,00 2,42 Saldo - lucro R$ 8.773,00 R$ 7.723,00 -11,97

Fonte: Sercomtel

J.L.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

De joelhos, ninguém tropeça

Quando relatos se transformam em modelos a serem seguidos, o risco se torna iminente.

Era sábado, de manhã ainda bem cedo. Eu chegava para um evento de jovens numa igreja na periferia do Rio de Janeiro. Ao entrar, encontrei um pequeno grupo reunido em oração. Para minha surpresa, além das senhoras, havia jovens ali.

Um deles, que liderava a reunião, convidou a todos para se ajoelhar e orar, e o fez com a seguinte afirmação: “Quem anda de joelhos não tropeça!” Um grupo de anônimos, reunidos bem cedo em oração, numa igreja de periferia.

Isso não se torna notícia, nem engrossa estatísticas do nosso controvertido crescimento evangélico. Gente assim também não é levada em conta na abundante literatura destinada a promover os vários métodos de crescimento de igreja. Afinal, são anônimos! No entanto, é por meio de milhões de anônimos que o Evangelho é proclamado e promove superação de todo tipo de barreiras, permitindo a formação de novas comunidades de fé.

Lucas narra, no livro de Atos, a ação de anônimos no processo de avanço da missão cristã. No relato do surgimento da igreja em Antioquia (Atos 11.19-30), ele descreve como “alguns de Chipre e de Cirene começaram a pregar”. Eles ainda não eram, sequer, chamados de cristãos – mas, motivados pela perseguição após a morte de Estêvão, saíram anunciando o Evangelho.

Como resultado, nasceu uma igreja multiétnica. Nada de espetacular é mencionado; o relato apenas menciona alguns evangelistas anônimos, motivados por algo que havia surgido para destruir a fé, mas que terminou por promovê-la. O fato de ter sido uma ação anônima não a fez menor, desprovida de valor. Lucas fez questão de registrar a obra destes anônimos e ainda relata a atitude de Barnabé ao visitar esta igreja, quando enviado pelos irmãos de Jerusalém.

Barnabé não chegou sugerindo aos crentes de Antioquia que era portador do “Modelo de Jerusalém”, a solução para o crescimento da Igreja. O texto nos diz que Barnabé reconheceu que a mão de Deus estava com eles e os animou a prosseguir. Esta é a questão fundamental: antes de comparar Antioquia com Jerusalém (se é que ele o fez), Barnabé testemunhou os sinais da mão de Deus naquela comunidade. O crescimento numérico da Igreja Evangélica brasileira é um fato.

Neste contexto, têm surgido muitos modelos com uma variedade de respostas ao que se supõe serem as perguntas vitais. No entanto, o problema está no fato de que, para muitos, a primeira pergunta tem sido negligenciada:

“Quais são os sinais da presença de Deus nesta comunidade?”. Contudo, o ponto de partida tem sido a comparação, e não o reconhecimento da ação de Deus, em cada comunidade local. Os testemunhos de crescimento são inspirativos e devem despertar alegria em nosso coração; mas, quando relatos se transformam em modelos a serem seguidos, o risco se torna iminente.

Fico pensando naquele pastor que, diariamente acompanha os membros de sua comunidade, visita lares e hospitais e, semana após semana, abre a Palavra de Deus e a expõe com a convicção de que o Senhor fala ao povo. Durante anos, ele aprendeu a reconhecer a mão de Deus sobre a igreja que conduz.

Imagine como se sente este obreiro ao ser induzido a, de uma hora para outra, transformar o testemunho de determinadas igrejas em modelo para sua comunidade. Agora, não se trata de reconhecer a mão de Deus, mas sim, de comparar dinâmicas organizativas e funcionais. Não sou contra os livros, encontros e ministérios que promovem determinadas experiências de crescimento, até o momento em que transformam relatos em modelos.

A questão fundamental não é a comparação de uma igreja a outra, mas sim o reconhecimento da ação divina em cada comunidade que se reúne em nome do Senhor. Se este crescimento evangélico é real, para além da dimensão numérica, então o responsável por ele é o próprio Deus. Neste caso, vale a pena seguir a orientação daquele crente anônimo: “De joelhos, irmãos; assim, ninguém tropeça.”

Cristianismohoje