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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Igreja dos EUA anuncia pedido de falência por indenizações de abuso sexual

A arquidiocese da Igreja Católica Romana da cidade americana de Milwaukee, no Estado de Wisconsin, anunciou que pedirá falência por uma onda de processo judiciais de vítimas de abuso sexual por padres.

O arcebispo Jerome Listeck declarou que vai pedir a falência baseado em uma decisão judicial que determinou que seguradoras não devem pagar por acordos feitos com as vítimas.

Os esforços de mediação falharam em muitas ações, ele acrescentou.

O objetivo é pagar as ações em curso por vítimas de abuso e "continuar a satisfazer as necessidades de clérigos, fieis e outras pessoas que se apoiam na Igreja para assistência", disse Listeck.

Dezenas de dioceses americanas pediram falência desde que a paróquia de Portland, Oregon, tomou a decisão drástica em 2004. Entre elas estão as dioceses de San Diego, Califórnia; Spokane, Washington; Wilmington, Delaware e Davenport, Iowa.

A diocese de Milwaukee diz que já gastou U$ 29 milhões em duas décadas com custos legais de abusos sexuais por padres.

"Desde 2002, vendemos propriedades, liquidamos reservas e investimentos, eliminamos ministérios e serviços, cortamos equipes em quase 40% e botamos todo os imóveis à venda para liberar recursos", resolvendo quase 200 casos, disse o site oficial da igreja.

Em março de 2010, a diocese lidou com denúncias sobre um padre, hoje morto, que teria molestado cerca de 200 meninos estudantes às escondidas por mais de duas décadas.

Folha

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Esteja preparado. O tempo para os últimos preparativos é AGORA.


Cresce o perigo de um colapso do sistema

O pânico dos políticos e dos diretores dos bancos Centrais aumentou muito. Provavelmente seus consultores disseram que a hora está chegando – a fuga do sistema de papel-moeda. Alguns até relatam sobre isso publicamente. É preciso agora somente um pequeno empurrão e esta fuga transformar-se-á em pânico. Este artigo mostra o que vem pela frente e o que você já deveria ter feito.

Aviso com alta prioridade

Alguns artigos dos últimos dias:

O receio diante da próxima crise financeira; Diretor do FMI previne diante dos obscuros segredos dos bancos; Merkel preocupada sobre fragilidade dos bancos alemães; FMI atiça medo diante da grande depressão.

Ou o artigo: Bancos estaduais devem salvar o WestLB.

“Uma falência do terceiro banco estadual seria uma catástrofe para o sistema financeiro mundial. Observadores partem do pressuposto que as partes irão entrar em consenso nos últimos minutos.”

De fato, a salvação veio pelo consenso em injetar mais dinheiro dos contribuintes. Com isso a “catástrofe” foi evitada mais uma vez.

Os britânicos fazem segredo para não apavorar os “mercados”: Crédito secreto para os bancos.

Mais de 60 bilhões de libras foram enfiadas “em segredo” aos bancos, em 2008. Quanto foi em 2009, será provavelmente revelado em 2010.

A especulação contra os países e seus títulos se inicia

Não, não apenas contra algum “cachorro faminto” da periferia, mas sim contra o bastião ocidental dos países industrializados – G7.

Japão: Visão do dia: David Einhorn; Especulações em torno da bancarrota da Grécia; Investidores apostam na falência da Itália.

Uma falência da Grécia já é esperada, mas não é algo que preocupa tanto. Apena o euro iria sofrer um pouco. Mas a bancarrota da Itália iria provocar pânico e levar o euro a um perigo extremo. Com o Japão a coisa é bem diferente: este país tem a maior dívida interna de todos (220% do PIB) e sua moeda é uma espécie de moeda-reserva paralela. Sua eventual bancarrota tem o potencial de acabar de vez com o sistema financeiro mundial.

Contra os três “mais importantes”, EUA, GB e Alemanha, não se pode especular ou apenas reportar algo a respeito. É claro que se especula com CDS (Credit Default Swaps) em cima dos títulos públicos destes países. Os preços dos CDS aumentam também por aqui, mas não abruptamente. Logo virá o grande ataque – com a fuga de suas moedas.

Por que as elites estão tão apavoradas?

Este artigo mostra: O medo diante da próxima crise financeira.

“Nos círculos da liderança política da Alemanha cresce o receio diante de uma segunda crise financeira internacional, que ultrapassará aquela do outono de 2007 em intensidade e efeito.

Este é pano de fundo dos avisos de Merkel, Schäuble e Trichet. Eles temem que o enriquecimento desavergonhado da oligarquia financeira, em relação a uma nova crise nos mercados financeiros, provoque uma rebelião social incontrolável.

Muitos especialistas consideram inevitável a quebra financeira que se avizinha. Der Spiegel apareceu na segunda-feira com um título espetacular, ‘A bomba dos trilhões’. O respectivo artigo de doze páginas começa com a afirmação, a pergunta não é ‘se’, mas sim ‘quando’ a bolha especulativa irá estourar.”

Não apenas na Alemanha cresce o pânico entre a elite, mas também por toda parte. A diferença é apenas que os dirigentes alemães demonstram melhor.

Uma imensa Carry-Trade-Bubble como a atual, onde praticamente todo tipo de título a crédito é comprado com dinheiro dos bancos centrais sem qualquer custo, tem que estourar em algum momento. No mais tardar então quando os juros tiverem que subir. O crash será terrível, e tudo que até então vimos será colocado à sombra.

Sendo assim, os bancos deverão ser salvos mais uma vez, mas com uma soma muito maior que desde 2008. Isso aconteceria com maciço aumento tributário e limitação dos gastos do governo: pelos erros dos banqueiros que se enchem no momento com bonificações. Ou seja, o contribuinte deve se conter ao máximo – em prol dos privilegiados banqueiros. Esta situação não traz consenso e os políticos da Alemanha devem sentir isso. Pelo menos seus consultores os avisaram.

Quando chegar, então tudo vai para o brejo; e a grande depressão com falências dos bancos e bancarrota dos países entrarão em cena. Por isso todos os leitores devem se preparar, pois pode acontecer a qualquer momento.

O preço do ouro explode no momento

O gráfico abaixo mostra o preço do ouro ontem – em US dólar e euro:

Abaixo o preço do ouro em dólar, em 2009:

Como eu mostrei em setembro de 2009 no artigo Ouro a US$ 1.100 e continua a subir, desde o verão não se consegue mais qualquer significante contenção da cotação do ouro.

Eu descrevi a situação da seguinte forma:

“Trata-se agora em impedir um aumento extraordinário da cotação do ouro, que seria visível a todos. Não há mais condições para grandes contenções do preço do metal.”

Estas últimas tentativas em impedir o aumento da cotação do nobre metal falharam, elas provocaram ainda mais seu aumento.

Por quê? Nós vemos isso aqui: Hedge-Fonds acumulam ouro devido ao receio de inflação. Ou neste extrato do Midas de Bill Murphy:

Monster Money Pouring Into Physical Gold Market
For some time we have watched the gold price rise relative to dollar weakness. I received word today from a colleague that a trade in Europe is to sell the euro against the 1.50 intervention point (which is widely observed) and to buy gold. We are told buying of physical gold is relentless at UBS and other European banks. Two customers of a major European bank just bought $500 million worth of bullion. Now, that’s some serious buying and why The Gold Cartel’s selloffs have not been working. Just too many buyers competing for limited supply.

Ou seja, o Big Money vai com toda força para o ouro físico. Sejam os Hedge-Fonds ou pessoas físicas ricas. Dois investidores, ao mesmo tempo, compraram cerca 500 milhões de dólares em ouro, no mercado de Londres – em um único dia. Caso eles consigam tanto ouro assim, naturalmente.

Os (poucos) ricos cientes devem ver o que está se formando – hiperinflação – e tentam primeiramente fugir de seus dólares comprando ouro, mas também de seus euros.

Ainda não temos o pânico, mas ele pode eclodir a qualquer momento.

Então colocar-se-á a seguinte questão: Onde estão seus super-juros, Ben? Nestes dias apareceu em um artigo (não de minha autoria), que Ben “Helicóptero” Bernanke deveria oferecer de fato juros a 45% ao ano para os vencimentos diários e seu colega secretário do tesouro, Tim Geithner, 55% para os títulos do tesouro de 10 anos. Isso significa a imediata bancarrota. Mas isso ainda acontecerá, provavelmente ainda nos próximos dois meses. Então a coisa vai rápido, talvez em um dia como descrito neste cenário: The Day the Dollar Died.

Falta somente o pânico

Falta ainda em elemento para a fuga selvagem das moedas e primeiramente do dólar e libra, para o “seguro” ouro: pânico. Um acontecimento que poderia ser seu estopim:

- o desabamento do mercado do ouro no COMEX ou LBMA através de um fornecimento especialmente grande
- uma declaração espontânea de algum importante político norte-americano contra o principal credor, a China
- a bancarrota de um grande banco nos EUA ou na Europa
- uma grande (e verdadeiro) ataque terrorista nos EUA ou na Europa.

Necessita-se apenas que algum banco central médio ou grande, ou um realmente grande investidor ou Hedge-Fonds decidirem migrar do dólar para o ouro. Isso basta. Aquilo que aconteceu no outono de 2008, onde o mercado monetário dos EUA quase quebrou, pode acontecer a qualquer momento. Então o pânico está às portas, e todos que ainda esperaram, irão - custe o que custar - querer fugir do papel-moeda. O sistema está extremamente instável, ele não se agüenta mais.

Atentem aos seguintes indicadores:

- um grande banco nos EUA ou Europa fechará suas portas, pois está falido
- Os títulos públicos de um importante país industrializado serão, no pânico, despejados no mercado
- a libra britânica quebra (já deveria ter acontecido há muito tempo)
- o index do US-dólar quebra mais de três pontos em um único dia
- o preço da onça do ouro sobe cerca de 100 dólares em um único dia

Então o pânico deve se instaurar. A probabilidade é grande que um pouco antes (no fim de semana) todos os bancos sejam fechados (um “feriado bancário” será decretado, as pessoas já estão nos bancos, mas não festejam, ao contrário, estão aterrorizadas), as bolsas fecharão, será estabelecido o controle das divisas, etc.

Preparativos

É provável que as interferências estatais descritas acima aconteçam de repente, em um final de semana. Sendo assim, nada mais será possível fazer, senão observar.

Os bancos podem permanecer fechados por uma semana e permitir então um saque mínimo. As bolsas podem até permanecer fechadas por mais tempo. Ouro e prata não existirão mais, estes serão comprados na fonte pelo Big Money. Quem não estiver preparado, perdeu.

O que já deveria ter sido feito:

a. todos os créditos deveriam ser pagos
b. todos os papéis como ações (exceto as minas de ouro e prata), títulos, fundos, seguros de vida, previdência privada etc, já deveriam ter sido liquidados
c. todos os imóveis que não se queira preservar de qualquer forma ou que estejam financiados, deveriam ser liquidados e receber o dinheiro correspondente
d. deve-se sair completamente de bancos críticos (conhecidos da mídia)
e. as contas em outros bancos devem ser reduzidas ao mínimo necessário, uma redistribuição em vários bancos é recomendável – isso ajuda?
f. todo ouro e prata que se deseja ter, já deveriam ter sido comprados e guardados em lugar seguro
g. reservas em dinheiro vivo, disponíveis a qualquer momento (não depositados nos cofres do banco) para o período de três meses, em euro ou franco suíço, também pequenas notas : deixe pacotes prontos de 100 notas de 10 ou 20 euros
h. uma reserva em alimentos e outros artigos de consumo para alguns meses deveram estar preparados
i. os veículos devem estar com tanque cheio, galões de reserva é recomendável.

Conte com a possibilidade que não somente os bancos e as bolsas estarão fechados de repente, mas também que os supermercados serão saqueados e os postos esvaziados. Quem tiver dinheiro em espécie nas mãos, pode ainda fazer alguma coisa. Com papel de plástico não se receberá provavelmente nada mais.

Irá durar ainda um tempo até que os negócios aceitem ouro ou prata, por isso deve se manter uma boa quantia de notas na moeda do país.

Trabalho, salários

Seu empregador fechará as portas por um período, pois ele próprio não tem acesso às contas bancárias. Você será mandado para casa sem salário. Empresários entre os leitores farão exatamente isso. Por isso você não deve contar com os rendimentos normais. Você só terá o dinheiro que possuir e não estiver bloqueado nos bancos ou nas bolsas.

Botes salva-vidas

Quando a coisa pegar, as ovelhas que até então se recusam a ver a realidade da crise, irão notar imediatamente que elas já foram tosadas e estão prestes a ser abatidas. O apoio estatal do outono de 2008 carregou o sistema por ainda mais um ano, mas agora os países estão na linha de tiro.

Depois que o Big Money (o grande capital) for para o bote salva-vida, os estados industriais, incluindo os EUA, GB, Alemanha, França e Japão, irão par ao ralo - é o preço da impressão de dinheiro sem lastro.

Quando este Big Money não receber mais ouro algum, então ele comprará e estocará matéria-prima de qualquer natureza até víveres de primeira necessidade, os depósitos estarão abarrotados até o teto, os preços irão explodir. Valores financeiros de toda espécie, como é típico em tais situações de crise monetária, irão despencar até o chão.

E outra vez: Esteja preparado. O tempo para os últimos preparativos é AGORA.

Dubai se constroi sobre areia e isso é perigoso dependendo da velocidade do vento.


Walter Eichelburg, engenheiro.

O autor do artigo não é um consultor financeiro, mas sim um investidor em Viena - NR.

Fonte


segunda-feira, 2 de março de 2009

AIG sofre prejuízo de 62 mil milhões no trimestre

Eu queria ter esse tanto de prejuízo, imagina só, quanto eu teria na minha conta hoje. Se é um prejuízo tão grande desse, imagina só o quanto de dinheiro tem que haver para produzir 62 mil milhões de prejuízo. Acredito que essa crise toda seja para encostar no governo e sugá-lo no máximo. Nós vemos muito falar na crise das montadoras, industrias automobilísticas, bancos e mais algumas grandes, essas são as que mais tiveram lucros, onde colocaram o dinheiro? Na hora de sugar, sugam, quando se apertam um pouquinho, sugam mais ainda. Eu ainda não vi o pasteleiro ir buscar dinheiro no governo, nem o feirante nem o padeiro fechar as portas. Ai dos grandes se não fosse os pequenos.

Em apenas três meses, a AIG, a maior seguradora dos EUA, sofreu prejuízos de 62 mil milhões de dólares. O Governo avançou hoje com a terceira intervenção na companhia.

Na totalidade do ano, a AIG perdeu 99,28 mil milhões de dólares. O prejuízo trimestral hoje anunciado é muito superior às perdas de 5,29 mil milhões de dólares registados no período homólogo de 2008 e supera também as expectativas dos analistas, que esperavam perdas de 60 mil milhões de dólares, anunciou hoje a empresa, citada pela Bloomberg.

Para ajudar a firma, o Governo norte-americano irá injectar mais 40 mil milhões de dólares no capital da seguradora, ao trocar as acções preferenciais que detém na empresa por novos títulos que "se parecem com acções comuns", adiantaram hoje o Tesouro e a Reserva Federal dos Estados Unidos.

Esta medida não só aumenta o dinheiro disponível à AIG, mas também alivia parte dos encargos financeiros da empresa, uma vez que esta estava a pagar um dividendo de 10% às acções preferenciais.

A seguradora, que foi salva do colapso pela primeira vez em Setembro do ano passado com um pacote de ajudas que chegou aos 150 mil milhões de dólares em 2008, foi forçada a pedir novamente ajuda ao Estado depois de não ter conseguido vender subsidiárias que chegassem para pagar de volta os créditos concedidos pelo Governo.

A AIG segura mais de 300 mil milhões de dólares em activos através de contratos de derivados, o que torna a instituição cuja falência teria "consequências significativas para o sistema financeiro", segundo o Tesouro dos EUA.

"O Governo aceitou todas as perdas potenciais, tendo poucas probabilidades de registar lucro. Estão a tentar proteger o sistema financeiro global da destruição total", disse Phillip Phan, professor de gestão da Escola de Negócios John Hopkins Carey à Bloomberg.

Em compensação, a AIG concordou em entregar ao Estado duas das suas subsidiárias, a Américan Life Insurance e a American International Insurance, e garantir que irá pagar o empréstimo federal, avaliado em 38,9 mil milhões de dólares, em parte à colocação das suas unidades do ramo Vida sob gestão estatal, ao mesmo tempo que dará ao Governo direitos sobre o dinheiro gerado por dezenas de milhares de apólices de seguro de vida.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Donald Trump recorre à falência

Foto: Chris Pizzello, AP

Chris Pizzello, AP

E até o empolado magnata americano Donald Trump está pedindo água por causa da crise.

O braço de cassinos do grupo empresarial Trump foi bater à porta da justiça para pedir a proteção da lei de falências.

O Trump Entertainment Resorts decidiu ontem apresentar um pedido de proteção do chamado Capítulo 11, que permite a reestruturação de uma empresa com 'amparo" dos credores.

Esta é a terceira vez que a empresa recorre ao famoso Chapter 11 (deve ser um bom negócio...)

Com uma dívida de US$ 1,7 bilhão, o Trump Entertainment Resorts tem vários cassinos em Atlantic City, cidade de Nova Jersey onde moradores de Nova York costumam fazer suas apostas.

Fonte

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA

A economia americana encontra-se em recessão desde dezembro de 2007, segundo o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês). Em mais de um ano de crise, a economia americana recebeu um pacote de US$ 700 bilhões no ano passado e a atual administração, do presidente Barack Obama, já conseguiu aprovação dos deputados em Washington para mais um, de US$ 819 bilhões. A situação em que o país se encontra, com queda do PIB (Produto Interno Bruto) e números do mercado de trabalho típicos de períodos de recessão, tem suas raízes no mercado imobiliário norte-americano.

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Em março de 2001, o Nber avaliou que a economia americana havia entrado em recessão, na esteira do estouro da bolha das empresas “pontocom”. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) iniciou uma sequência de cortes de juros que levou a taxa a 1% ao ano em junho de 2003 (e na qual permaneceu até junho de 2004). Com juros baixos, a economia recebeu o impulso que precisava para sair da recessão. Um ano de juros baixos foi o suficiente para estimular o mercado imobiliário americano, além de elevar o consumo e a circulação de crédito de modo geral. Em 2005, o “boom” no mercado imobiliário já estava avançado.

Com juros baixos, as companhias hipotecárias passaram a explorar o segmento de clientes “subprime” –que contém um risco maior que o de clientes com classificação melhor de crédito, mas compensado por taxas de retorno mais altas.

Os papéis de dívidas hipotecárias atraíram gestores de fundos e bancos. Essas instituições compraram esses títulos hipotecários “subprime” e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.

Declínio

Em 2006, o mercado imobiliário já dava sinais de saturação, com preços e estoques altos de casas, ao lado de uma taxa de juros que vinha subindo desde junho de 2004, chegando a 5,25%. Com os juros mais altos, as correções nos contratos de hipotecas dificultaram os pagamentos de prestações, e a consequência foi o aumento da inadimplência.

Com isso, as instituições financeiras, que compraram os títulos hipotecários “”subprime” e os revenderam sob a forma de derivativos, também começaram a ter problemas. Se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os “subprime”, o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).

Derivativos são papéis que tem, seu valor derivado de outros ativos, com a finalidade de assumir, limitar ou transferir riscos. São instrumentos financeiros considerados de risco, uma vez que a avaliação de seus valores e das consequências de seu uso generalizado é muito complexa em um mercado financeiro cada vez mais globalizado.

Em 2007, o setor financeiro sofreu o primeiro golpe, quando o aumento da inadimplência nas hipotecas “subprime” aumentou o risco embutido nos derivativos lastreados nesses papéis de dívida. O banco francês BNP Paribas Investment Partners –divisão do banco francês BNP Paribas– congelou, em agosto daquele ano, resgates em três fundos, alegando dificuldades de avaliar os valores dos investimentos ligados a essas hipotecas de risco.

Quebras e prejuízos

Com esse primeiro sinal de problemas, a reação foi a mesma de todas as crises que envolvem o mercado financeiro: pânico. Primeiro foram algumas gigantes do setor hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM): uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, a empresa teve de pedir concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.

Das empresas hipotecárias, a crise passou para os bancos. O marco inicial da onda de pânico que conduziu a esses resultados foi a quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Desde então, alguns dos principais grupos financeiros não só dos EUA, mas do mundo todo, que já vinham sentindo os abalos da crise, entraram em um ritmo acelerado de perdas.

O Citigroup, uma das instituições mais abaladas, anunciou no último dia 16 uma reestruturação em que irá se dividir em duas unidades –além de prejuízos de US$ 8,29 bilhões no quarto trimestre e de US$ 18,72 bilhões em 2008. O Citi ainda recebeu uma garantia de US$ 301 bilhões para cobrir eventuais perdas acarretadas pela crise.

O Bank of America, no ano passado como um todo, lucrou US$ 4,01 bilhões, valor 73,23% menor que o de 2007; no quarto trimestre, no entanto, o banco teve um prejuízo de US$ 1,79 bilhão. O Wells Fargo, um dos bancos que vinha conseguindo evitar perdas mais graves, teve um prejuízo de US$ 2,83 bilhões no quarto trimestre de 2008 –resultado que, segundo o banco, se deveu aos custos referentes à compra do rival Wachovia.

Consequências

A crise provocada pelo problema que começou no mercado imobiliário e que se infiltrou no sistema financeiro acabou por se espalhar para todos os setores da economia, como reconheceu a chefe do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, na sexta-feira (30) –dia em que o Departamento do Comércio informou que o PIB americano caiu 3,8% no trimestre passado. Foi o pior desempenho trimestral desde o período de janeiro a março de 1982, quando a economia caiu mais de 6% –á época, como agora, o país estava em uma recessão.

A crise, e o risco para o sistema bancário que ela representava, levou o governo americano a propor um pacote de US$ 700 bilhões –aprovado em outubro do ano passado. O pacote iria ajudar os bancos com balanços comprometidos pelo peso dos derivativos lastreados nas hipotecas “subprime”, mas acabou tendo seu alcance ampliado para ajudar bancos mais saudáveis, empresas mais ligadas ao crédito ao consumidor e até as montadoras do país.

O setor automobilístico vive uma situação problemática que é consequência direta da crise de crédito resultante dos problemas com hipotecas “subprime”. A General Motors e a Chrysler, com quedas nas vendas devido às dificuldades dos compradores em obter financiamento, precisaram de ajuda do governo para fechar suas contas –a ajuda veio na forma de um pacote de pouco mais de US$ 17 bilhões, com recursos do pacote de outubro.

O mercado de trabalho também sofre uma contração, nos EUA e além, causada pela crise de crédito originada nos problemas do mercado imobiliário. A taxa de desemprego nos EUA fechou 2008 em 7,2%, pior nível desde 1993. O número de desempregados no país no ano passado chegou a 2,6 milhões, maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

O novo pacote, de US$ 819 bilhões, será usado, segundo o presidente Obama, para obras de infraestrutura e geração de cerca de três milhões de empregos, entre outras coisas. Ele disse que a recuperação da economia do país “levará anos, e não meses”.

O Fed, por sua vez, prevê que “uma recuperação gradual na atividade econômica deve começar mais à frente neste ano, mas os riscos de baixa para esse cenário são significativos”.

Folha Online