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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

É Escândalo para todo lado, nada, nada, nada é confiável - Escândalo na FIFA

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE - O Estado de S.Paulo

Os dirigentes do futebol campeão do mundo, a Espanha, são alvos de uma investigação sem precedentes na Fifa e que está abalando as estruturas da entidade. O Catar e a candidatura conjunta da Espanha-Portugal são os suspeitos de terem fechado um acordo ilegal para a transferência de votos para garantir-lhes as Copas de 2018 e 2022. Ontem, a entidade suspendeu temporariamente dois dos 24 membros do Comitê Executivo diante do mais grave escândalo de corrupção em décadas, além de quatro altos cartolas da Fifa que deram conselhos para se pagar propinas.

Mesmo assim, o presidente da entidade, Joseph Blatter, insistiu que a Fifa não tem nenhuma responsabilidade e os atos são individuais. Irritado e visivelmente atordoado por causa da maior crise de seus 35 anos na Fifa, Blatter se recusou a responder a perguntas. Declarou que a Fifa "não é uma entidade corrupta".

A entidade ainda insistiu que manterá o dia 2 de dezembro como data para a escolha das próximas sedes dos Mundiais. "Não há uma discussão de adiar voto ou mudar modelo de votos", afirmou o secretário-geral Jérome Valcke, garantindo que a eleição continuará secreta.

A ideia era manter em total sigilo o nome dos países envolvidos. Mas, achando que seu microfone estava desligado durante uma entrevista coletiva, Valcke pronunciou o nome do Catar a um colega ao seu lado. Ao perceber a escorregada, tentou desconversar. Mas seu desespero era evidente. "São apenas rumores e não temos provas ainda. Vamos ver se eles são verdadeiros", disse, admitindo, porém, que os países implicados poderiam ser suspensos. "Não podemos falar nada sobre o assunto", afirmou Claudio Sulser, presidente do Comitê de Ética.

A alegação recebida pela entidade seria um situação complicada para a Fifa. Afinal, nunca nenhuma candidatura foi suspensa e, pior, a atual tocaria diretamente a Espanha, atual campeã do mundo. A Fifa enviou uma carta aos países que concorrem a sede das Copas de 2018 e 2022 alertando que a troca de votos é proibida. Além das duas candidaturas investigadas, as outras são Inglaterra, Holanda-Bélgica, Rússia, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Austrália.

O Estado apurou que as alegações secretas recebidas pela entidade são de que Espanha e Catar poderiam ter fechado um acordo no sentido de trocar apoio. Para 2018, quando a Copa ficaria na Europa, o Catar se comprometeria a levar para a Espanha os três votos asiáticos no Comitê Executivo. Em troca, a Espanha conseguiria para o Catar em 2022 os quatro votos da América do Sul - e seu próprio.

Por enquanto, a única decisão tomada é a suspensão por unanimidade de dois membros do Comitê filmados pelo jornal Sunday Times negociando a venda de seus votos por valores entre R$ 1,5 milhão e R$ 3,6 milhão. Os implicados são o vice-presidente da Fifa, Reynald Temarii, e o nigeriano Amos Adamu. Até o dia 15 a ideia é tomar uma medida final antes da votação que ocorrerá no dia 2 de dezembro.

"Não é um dia feliz. É um dia triste para o futebol. Mas num jogo não há como ter apenas comportamentos exemplares", disse Blatter. Colocando-se acima de qualquer suspeita, o cartola suíço prometeu defender o futebol. "É meu dever proteger o futebol e a Fifa dos diabos", afirmou. "Apelo para que todos atuem de forma honesta", disse. "Mas fico surpreso com a questão de dizerem que a Fifa é uma entidade corrupta."

Defesa. Valcke insistiu em separar a Fifa dos casos de corrupção. "Não estamos falando da instituição. Se um indivíduo é corrupto, não quer dizer que a entidade é corrupta. Se não, toda a sociedade é corrupta."

Os dirigentes suspensos são Slim Aloulou, Amadou Diakite, Ahongalu Fusimalohi e Ismael Bhamjee, todos com postos de alta responsabilidade na entidade - e do Comitê de Arbitragem. Nas entrevistas gravadas pelo Sunday Times, sugeriram que candidatos paguem propinas para garantir uma vitória. "Há muita tentação aqui e há muitos interesses em jogo", disse Sulser.

Estadao

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Você já Tinha visto Isto? Eu Não.

A reportagem a seguir consta na Edição de 28.12.2009. Revista Isto É.Todas as unidades desta edição enviadas para as bancas no Distrito Federal foram compradas por pessoas assim que as bancas abriram. Não ficou uma só unidade para o pobre mortal comprar. O grande enigma é: quem mandou comprar todas as revistas das bancas do Distrito Federal?

Poucos entendem como o ex-corretor de imóveis e hoje senador Gim Argello conseguiu ampliar seu patrimônio em 10 mil vezes em pouco mais de 25 anos

Sérgio Pardellas e Hugo Marques

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“Deus queira que um dia aconteça de eu ter R$ 1 bilhão”
Gim Argello, senador (PTB-DF)

Na primeira semana deste mês, o senador Gim Argello (PTB-DF) desembarcou na antessala da Presidência do Senado exibindo um indisfarçável sorriso no rosto. Diante dos olhares de expectativa de parlamentares do PMDB, entre os quais os senadores Renan Calheiros (AL) e Wellington Salgado (MG), Argello justificou tamanha felicidade:

“Alcancei meu primeiro bilhão de reais”, disparou, para a surpresa dos colegas. Aos 47 anos, Argello personifica o milagre de Brasília. A capital federal não possui indústrias, grandes multinacionais nem de longe é o coração econômico do País. Mas é uma cidade onde as pessoas usam a proximidade com o poder como trampolim para o mundo dos grandes negócios. Esse é o caso do senador do PTB, que, depois do escândalo do mensalão do DEM, desponta entre os prováveis candidatos ao governo do Distrito Federal em 2010.

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À ISTOÉ, em entrevista rápida, Argello nega o que vem afirmando aos colegas senadores. Argello iniciou a carreira empresarial há 25 anos, como corretor de imóveis. Tinha um patrimônio que não chegava aos R$ 100 mil, ou seja, 10 mil vezes inferior ao que ele anda alardeando pelos corredores do Senado. Graças à bem-sucedida atividade de corretagem, ele conseguiu multiplicar seus bens por três em menos de uma década.

Mas foi com a política que viu seu patrimônio crescer de forma meteórica. Desde que foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1998, Argello não parou de acumular bens. Em 2006, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral patrimônio que somava R$ 805.625,09. Mas só a sua casa de 872 metros quadrados, na Península dos Ministros, área mais nobre de Brasília, localizada próxima à residência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está avaliada em R$ 5 milhões. Segundo apurou ISTOÉ, o senador do PTB também é proprietário de rádios, jornais e uma franquia da Empresa dos Correios e Telégrafos Setor Comercial Sul (SCS). Dona de uma extensa carteira de clientes, a agência dos Correios, de acordo com especialistas do setor, ostenta um faturamento anual de cerca de R$ 100 milhões, o mais alto entre as 27 franquias da ECT no Distrito Federal.

A maioria das empresas que Argello controla está registrada no nome de parentes e assessores. Desde 2007, por exemplo, há registros na Junta Comercial de sociedade de um de seus filhos, Jorge Affonso Argello Júnior, nas empresas Grid Pneus e Garantia Pneus e Serviços Automotivos. O capital integralizado da Grid é de R$ 1,6 milhão, e o da Garantia, de R$ 2,8 milhões.

A Gris, segundo Argello, já teria sido vendida por Jorge Affonso. Em 2007, ele desembarcou no Senado timidamente, como suplente de Joaquim Roriz , que renunciou ao mandato. Em pouco tempo conquistou a confiança de Calheiros e Sarney. Num atestado de força política, o petebista emplacou o assessor técnico de seu gabinete parlamentar, Ivo Borges, numa das cinco diretorias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como líder da bancada do PTB, com sete votos decisivos para o governo no Senado, Argello também se aproximou da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem costuma chamar de “chefa”.

A amizade com Dilma foi conquistada durante caminhadas matinais ao lado da ministra, que mora no mesmo bairro do senador. Argello orientou seu jardineiro a avisá-lo sempre que Dilma se preparava para caminhar. Quando ela despontava no horizonte, Argello começava sua sessão de alongamentos, que só terminava quando Dilma cruzava com ele.

O rápido enriquecimento de Argello também lhe rendeu pendências na Justiça. Ele responde a processo no STF por lavagem de dinheiro, crimes contra o patrimônio, apropriação indébita, ocultação de bens, peculato e corrupção passiva. O processo tramita em segredo de Justiça, e não se conhece em detalhes o teor da acusação sobre operações financeiras que Argello não conseguiu identificar.

O senador do PTB também foi acusado de envolvimento num esquema de mudança de destinação de lotes na Câmara Distrital. Pelo esquema, áreas rurais desvalorizadas são transformadas em áreas residenciais e áreas para restaurantes viram disputados lotes para postos de gasolina. Esse esquema também teria funcionado nos condomínios de Brasília, pendentes de legalização.

A empresária Rosa Lia Fenelon revelou à ISTOÉ que Argello exigiu 100 terrenos em sua propriedade, o Condomínio Pousada das Andorinhas, para legalizar toda a área na Câmara Legislativa, à época em que era deputado distrital. “Tive de passar 100 lotes para pessoas indicadas por Argello. Fui extorquida”, acusa Rosa. Quando procurada por Argello, em 2001, Rosa estava vendendo os terrenos a R$ 30 mil cada um.

Hoje, é impossível comprar um lote por menos de R$ 300 mil na região. Rosa afirma que todos os terrenos foram entregues a assessores e parentes do senador. “A gente não consegue legalizar nada em Brasília se não for através da corrupção”, lamenta, explicando que Argello foi pessoalmente à sua casa para cobrar o dízimo. O senador desmente as acusações e diz que nunca fez negócios com Rosa e nunca autorizou ninguém a falar em nome dele com a empresária. Sobre seu suposto patrimônio bilionário, desconversa. “Deus queira que isso um dia aconteça”.

IstoÉ