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domingo, 7 de fevereiro de 2010

60% são Católicos, 40% são Protestantes e 100% seguem o Vudu.

Vivem 16 vidas e têm medo de 'zombies'

Das ruínas do terremoto no Haiti estão renascendo os rituais levados há séculos pelos escravos africanos. Os haitianos viram-se para o mundo dos espíritos à procura de respostas e protecão. E, sem se darem conta, vão mostrando ao mundo que a sua crença não se esgota numa boneca espetada com alfinetes, como vemos nas histórias: Vudu

Vivem 16 vidas e têm medo de 'zombies'

Aos haitianos só uma coisa mete mais medo do que a morte: os mortos. Os descendentes de escravos africanos acreditam que os homens têm 16 vidas para viver, mas também sabem que aqueles que morrem voltam à terra como zombies para se vingar dos que tratarem mal os seus cadáveres.

A profecia é repetida por todos os sacerdotes vudus e está a sendo levada muito a sério pelo povo. Desde o sismo de 12 de Janeiro ninguém faz nada que desrespeite os espíritos dos seus antepassados - 200 mil almas amontoadas em valas comuns, são os números do último balanço.

O misticismo não é novo, mas a tragédia recente deu novo fôlego ao vudu no Haiti. Costuma dizer-se que no país mais pobre da América 60% dos habitantes são católicos, 40% são protestantes e 100% seguem o vudu. O padre Pierre André Laguerre de Sainte Bernardette explica o fenómeno: "Quando tudo está bem cada um vai à sua igreja. Quando algo mau acontece, vão todos ao sacerdote vudu pedir ajuda."

Ao contrário do preconceito, que o confunde com uma bruxaria que acaba sempre com alfinetes espetados numa boneca de palha, o vudu é uma religião que dá sentido à vida de milhões de pessoas na África e na América. A sua história perde-se no tempo. Pensa-se que teve origem na África Ocidental há uns dez mil anos atrás e que teria evoluído do animismo. Nas línguas tribais, "vudu" significa "espírito" e essa é a primeira pista para se compreender esta religião misteriosa.

Para os crentes, Deus criou o Homem e deixou-o num mundo material. Paralelo a este, mas invisível, existe o reino dos espíritos, os iwa. Todos - homens, animais, plantas, rochas - estão possuídos por iwa que dão sorte e protegem do mal. Os sacerdotes vudu fazem a ligação entre os dois mundos que têm de estar em equilíbrio. Quando assim não é, acontece uma tragédia.

Para os que acreditam no vudu, o terremoto do Haiti foi uma revolta do outro mundo. Erol Josue, sacerdote vudu, explica que o Haiti é "o espírito de uma mulher". "Quando sentiu dor, ela disse 'basta'. É simbólico. Fomos todos arrasados. Ricos e pobres. O palácio presidencial ruiu, o Parlamento ruiu, a Catedral ruiu. Estamos todos de joelhos."

O vudu chegou à América no século XVI com os escravos vindos do outro lado do Atlântico. Os negros foram convertidos à força ao cristianismo pelos franceses, mas mantiveram secretas as velhas crenças.

Naqueles tempos de exploração, o vudu era uma manifestação política para os escravos. Os historiadores admitem que foi uma cerimónia religiosa a eclodiu a revolta de 1791, que aboliu a escravatura - o Haiti foi o primeiro no mundo a fazê-lo. Treze anos depois, os revoltosos - que segundo um evangelista americano "fizeram um pacto com o Diabo" - conquistaram a independência.

Mesmo depois de expulsarem os franceses, os haitianos continuaram a conciliar o cristianismo com o vudu. Desde então, as cerimónias religiosas começam sempre com preces cristãs e acabam com rituais para adorar as divindades do culto.

Monique Henry, mãe de três filhos, de crucifixo ao pescoço, é a prova viva dessa fusão improvável. "Todos acreditamos em Deus, mas sentimos que o vudu é poderoso" disse ao The Independent. "Acreditamos que as divindades podem-nos proteger de novos perigos."

Os mesmos escravos que importaram o vudu para o Haiti, levaram o culto para o sul da América do Norte - sob domínio francês. Nova Orleães é a capital do vudu nos EUA e para muitos a capital do vudu no mundo. E é fácil compreender porquê. Foi ali que vudu se misturou com o culto hudu, que se confundiu com a magia negra e depois partiu à conquista de Hollywood. Pode dizer-se que foi na cidade do jazz que o vudu se tornou num mito.

D.N.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Evangélicos são presos por crerem em Jesus

MÉXICO (*) - Em 17 de janeiro, chefes de Saltillo, Estado de Chiapas, prenderam cristãos da comunidade. As autoridades pressionam os cristãos e os ameaçam a fim de que renunciem a fé cristã evangélica, uma vez que a maioria da comunidade é católica.


Cristãos da comunidade de Saltillo
As autoridades reivindicam que é crime não apoiar eventos católicos e que é também um sinal de que os evangélicos não se importam com sua comunidade. Essa é uma discussão comum entre católicos no Estado de Chiapas.

Cinco homens influentes na comunidade intensificaram sua discussão com os cristãos, e no dia 17 declararam: "Prendemos esses crentes porque a fé deles em Jesus Cristo faz com que não gostemos deles e não os queremos mais em nossa comunidade".

Esses mesmos homens lideraram um grupo que foi de casa em casa, detendo oito cristãos e levando-os para a prisão. Os homens ficaram detidos da noite de domingo até a noite do dia seguinte.

Ao liberar os cristãos, os chefes da comunidade os impediram de retornar para casa e informou que suas famílias teriam de ir embora.

Foi feito um apelo à instância superior, em Las Margaritas, que se reunirá para decidir onde os cristãos serão alojados.

No momento, não se planeja levar os cristãos de volta a sua casa original. Eles terão primeiro que deixar a comunidade, mudar-se e então fazer um apelo, pedindo para retornar para sua propriedade.

Mesmo recebendo permissão para retornar, os chefes de Saltillo não sofrerão nenhuma ação legal.

Martin Gómez Cruz, um dos cristãos presos, disse: "Eu estou bem. Não fomos agredidos, mas violaram nosso direito de crer em Jesus Cristo. Continuamos a confiar em Deus porque Ele é nosso apoio".

MPA