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terça-feira, 26 de maio de 2009

Paris: igreja da Cientologia em tribunal


A igreja da Cientologia está em tribunal na capital francesa. A organização foi acusada de fraude organizada, avança a BBC.

Justiça

O caso é baseado no depoimento de uma mulher que diz que foi pressionada a dar largas somas de dinheiro à igreja de Cientologia, depois de lhe terem oferecido um teste de personalidade grátis. O advogado diz mesmo que a igreja procurou angariar dinheiro, ao pressionar psicologicamente a sua cliente a usar curas científicas duvidosas.

A mulher que entrou com a acção contra o grupo diz que foi abordada por membros da organização há dez anos, em Paris, e estes lhe deram um teste de personalidade grátis. Mas acabou por gastar cerca de 21 mil euros em aulas, livros e medicamentos. Produtos que lhe disseram que iriam curar o estado da sua mente.

Contudo, a organização recusa a acusação e garante que nenhuma manipulação psicológica foi efectuada. Caso perca o caso, a organização pode perder o direito ao exercício da actividade.

Esta é a primeira vez que uma igreja, como organização, está a ser julgada, em França, num caso de fraude organizado.

Fonte


segunda-feira, 9 de março de 2009

Um morto em tiroteio numa igreja

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas durante um tiroteio seguido de esfaqueamento numa missa na Igreja Baptista de Maryville, Illinois, EUA, noticia a CNN, citando o porta-voz da polícia do estado, Ralph Timmins.

Uma fonte do Hospital Universitário de St. Louis disse à CNN que uma das vítimas morreu, o próprio pastor da igreja.

O pastor parece ter sido o alvo premeditado do atacante, que entrou na igreja e se dirigiu de imediato ao púlpito. Depois de trocarem algumas palavras, o homem de 27 anos disparou quatro vezes: uma na Bíblia, três no pastor.

«Parece que o pastor o reconheceu, mas não temos a certeza disso», disse Larry Trent, director da polícia de Illinois.




Depois de disparar estes quatro tiros, a arma do homem encravou e, então, ele sacou uma faca. Dois paroquianos que o tentaram travar e o atacante acabaram feridos, mas não se sabe quem feriu quem ou se foram facadas acidentais no meio da confusão.

Ralph Timmins disse que os paroquianos não correm risco de vida, um deles já saiu mesmo do hospital, enquanto o atirador tem ferimentos «muito graves».

Uma testemunha relatou o sucedido: «Ouvi três tiros e corri para o púlpito. A Bíblia do pastor estava espalhada por toda a parte. As pessoas atiravam-se para o chão e gritavam.»

Fonte




segunda-feira, 2 de março de 2009

A entrevista de Hans Küng é um erro', afirma cardeal

Houve uma longa entrevista com o teólogo suíço Hans Küng, crítica, como já o fora no passado para com Bento XVI, publicada pelo jornal La Stampa. E surge o imediato protesto do arcebispo de Turim, o cardeal Severino Poletto, e de todos os bispos piemonteses, “amargurados” pela escolha do jornal “precisamente enquanto a Igreja turinense está empenhada na preparação de uma nova Exposição do Sudário em 2010, e se prepara, naquela ocasião, para acolher com entusiasmo o Santo Padre”. A polêmica, não a única que nestes dias viu empenhado o arcebispo (precedentemente havia declarado que “orava” para que a presidente da Região, Mercedes Bresso, mudasse de idéia sobre o caso Englaro), explodiu ontem à tarde com duas notas difundidas pelas secretarias da Cúria. Não sem alvoroço por aquilo que um autorizado colaborador da Stampa, como Gianni Vattimo, já definiu como “a tentativa de censura de quem se sente atualmente em minoria”.

A reportagem é de Vera Schiavazzi e publicada pelo jornal La Repubblica, 27-02-2009. A tradução é de Benno Dischinger.

A entrevista com Küng, o principal teólogo católico do dissenso, entre os primeiros a contestar precisamente a infalibilidade papal, fora publicada na véspera pelo Le Monde e intitulada de modo análogo (“A igreja católica corre o risco de se tornar uma seita”), sem que, no entanto, nem as hierarquias católicas francesas, nem outras pessoas protestassem pela iniciativa do cotidiano de Paris. Ponto central do colóquio, a revogação da excomunhão, e a subseqüente correção de rota, para o bispo lefebvriano negacionista Richard Williamson: “Também se o Papa não tinha conhecimento dos discursos negacionistas e ele pessoalmente não seja anti-semita, todos sabem que aqueles quatro bispos o são – declarou Küng -. O problema fundamental é a oposição ao Concílio Vaticano II e a recusa de uma nova relação com o judaísmo: um Papa alemão deveria ter avaliado melhor a questão e mostrar-se privo de ambigüidade sobre o Holocausto, como prontamente o fez a chanceler Angela Merkel”.

Palavras mais que suficientes, uma vez que a entrevista foi republicada no cotidiano turinense, para impelir Poletto a manifestar “desconcerto e amargura” e a convidar os fiéis “neste tempo de Quaresma a rezar para que o Senhor dê ao Santo Padre o seu conforto e lhe faça sentir toda a nossa proximidade e total sintonia com o seu Magistério”. “Espero – acrescentou o Cardeal – um comportamento bem mais atento para com a Igreja católica. Turim ama o Papa e o aguarda com afeto”. Palavras análogas chegaram da Conferência episcopal piemontesa: “Um ataque infundado que alimenta a desinformação. Causa-nos estranheza que um jornal como La Stampa não saiba avaliar posições que gostariam de se apresentar como abertas e inovadoras e acabam sendo, ao invés, repetitivas, provincianas e descontadas”.

Foi pronta e nítida a réplica de Giulio Anselmi, diretor do cotidiano do Grupo Fiat: “Hans Küng é um grande teólogo e intelectual que teve com este Papa relações diversificadas e nem sempre negativas. Disse coisas interessantes e nós as publicamos, sendo de meu desagrado que o cardeal Poletto se irrite com isso. Mas, é correto que cada um exprima o seu ponto de vista: também o cardeal, figura de suma autoridade, que de resto dispõe de um jornal próprio, como qualquer outro. Temos leitores de vários tipos, e só podemos ter um comportamento laico”. Para o filósofo Gianni Vattimo, “estamos diante da censura, da decapitação de cada possível debate. O típico delírio de onipotência de quem está perdendo toda autoridade”. Enquanto o constitucionalista Gustavo Zagrebelsky observa: “Numa democracia, às críticas dever-se-ia responder com argumentos, e não se declarando ofendidos. O respeito ao Papa, como a todos, é um dever, mas é normal que a sociedade civil se interesse por aquilo que ocorre na igreja católica, precisamente como acontece o inverso. Dir-se-ia que é a igreja que ainda não está habituada com isso”.

IHU

sábado, 28 de fevereiro de 2009

'A Igreja corre o risco de converter-se numa seita', afirma teólogo suíço

“A Igreja corre o risco de converter-se numa seita. Muitos católicos não esperam mais nada desse Papa. E isso é muito doloroso”. A afirmação é do teólogo alemão Hams Küng.

Bento XVI tem uma posição ambígua sobre os textos do Concílio, porque ele não se sente cômodo com a modernidade e a reforma. Ora, o Vaticano II representou a integração do paradigma da reforma e da modernidade na Igreja católica. O Mons. Lefebvre nunca a aceitou, e seus amigos na Cúria também não. E nisso Bento XVI tem uma certa simpatia pelo Mons. Lefebvre”, acrescenta Küng.

Segue a entrevista que Hans Küng concedeu a Nicolas Bourcier e Stéphanie Le Bars e que está publicada no jornal francês Le Monde, 25-02-2009. A tradução é do Cepat.

Como você analisa a decisão de Bento XVI de suspender a excomunhão de quatro bispos da corrente integrista do Mons. Lefebvre, um dos quais, Richard Williamson, é um negacionista confesso?

Eu não fiquei surpreso. Desde 1977, numa entrevista a um jornal italiano, Mons. LefebvreCardeais apóiam a (sua) corrente” e que “o novo Cardeal Ratzinger prometeu intervir junto ao Papa para encontrar uma solução”. Isso mostra que este assunto não é um problema novo nem uma surpresa. Bento XVI sempre falou muito com essas pessoas. Hoje, ele suspende sua excomunhão, porque julga que o tempo chegou. Ele pensou que poderia encontrar uma fórmula para reintegrar os cismáticos, que, conservando inteiramente as suas convicções, poderiam dar a aparência de que estão de acordo com o Concílio Vaticano II. Ele se enganou feio. indicava que “

Como explica o fato de que o Papa não tenha medido as reações que a sua decisão suscitaria, inclusive para além das declarações negacionistas de Richard Williamson?

A suspensão da excomunhão não foi um erro de comunicação ou de tática, mas ela constituiu um erro de governo do Vaticano. Mesmo que o Papa não tenha tido conhecimento das declarações negacionistas de Mons. Williamson e mesmo que ele próprio não fosse antissemita, cada um sabe que os quatro bispos em questão são antissemitas. Neste assunto, o problema fundamental é a oposição ao Vaticano II, e especialmente a recusa de uma relação nova com o judaísmo. Um Papa alemão deveria ter considerado isso como um ponto central e se mostrar sem ambigüidade sobre o Holocausto. Ele não mediu o perigo. Contrariamente à Chanceler Angela Merkel, que reagiu fortemente.

Bento XVI sempre viveu num meio eclesiástico. Ele viajou muito pouco. Ele permaneceu trancado no Vaticano – que é como o Kremlin de outrora –, onde ele é preservado das críticas. De repente, ele não foi capaz de realizar o impacto de uma tal decisão no mundo. O secretário de Estado, Tarcisio Bertone, que poderia ser um contrapoder, era seu subordinado na Congregação para a Doutrina da Fé; é um homem de doutrina, absolutamente submisso a Bento XVI. Estamos diante de um problema de estrutura. Não há nenhum elemento democrático nesse sistema, nenhuma correção. O Papa foi eleito por conservadores, e hoje é ele quem nomeia conservadores.

Em que medida podemos dizer que o Papa ainda é fiel aos ensinamentos do Vaticano II?

Ele é fiel ao Concílio, à sua maneira. Ele sempre insiste, assim como João Paulo II, sobre a continuidade com a “tradição”. Para ele, esta tradição remonta ao período medieval e helênico. Sobretudo, ele não quer admitir que o Vaticano II provocou uma ruptura, por exemplo, sobre o reconhecimento da liberdade religiosa, combatida por todos os Papas anteriores ao Concílio.

A concepção profunda de Bento XVI é que é preciso acolher o Concílio, mas que convém interpretá-lo; talvez à maneira dos lefebvristas, mas em todo o caso no respeito da tradição e de maneira restritiva. Ele sempre foi um crítico, por exemplo, da liturgia do Vaticano II.

No fundo, Bento XVI tem uma posição ambígua sobre os textos do Concílio, porque ele não se sente cômodo com a modernidade e a reforma. Ora, o Vaticano II representou a integração do paradigma da reforma e da modernidade na Igreja católica. O Mons. Lefebvre nunca a aceitou, e seus amigos na Cúria também não. E nisso Bento XVI tem uma certa simpatia pelo Mons. Lefebvre.

Por outro lado, para mim é escandaloso que, no cinqüentenário do lançamento do Concílio por João XXIII (janeiro de 1959), o Papa não tenha feito o elogio de seu predecessor, mas tenha optado por suspender a excomunhão de pessoas opostas a esse Concílio.

Que tipo de Igreja o Papa Bento XVI está prestes a legar aos seus sucessores?

Eu penso que ele defende a ideia do “pequeno rebanho”. É um pouco a linha dos integristas, que calculam que, mesmo se a Igreja perder muitos de seus fieis, haverá uma Igreja elitista, formada de “verdadeiros” católicos. É uma ilusão pensar que se pode continuar desse jeito, sem padres, sem vocações. Esta evolução é claramente um movimento de restauração. Isso se manifesta na liturgia, mas também em atos e gestos quando diz, por exemplo, aos protestantes que a Igreja católica é a única verdadeira Igreja.

A Igreja católica está em perigo?

A Igreja corre o risco de converter-se numa seita. Muitos católicos não esperam mais nada desse Papa. E isso é muito doloroso.

Você escreveu: “Como um teórico tão dotado, amável e aberto como Joseph Ratzinger pôde chegar a este ponto e tornar-se o Grande Inquisitor romano?” Agora, como?

Eu penso que o choque dos movimentos de contestação de 1968 ressuscitou o seu passado. Ratzinger era conservador. Durante o Concílio ele se abriu, mesmo se já era cético. Com 68, ele retornou a posições muito conservadoras, que ele guarda até hoje.

O atual Papa pode ainda corrigir essa evolução?

Quando ele me recebeu em 2005, ele teve um ato corajoso e eu verdadeiramente acreditei que ele encontraria o caminho para a reforma, mesmo que lentamente. Mas, em quatro anos, ele provou o contrário. Hoje, eu me pergunto se ele é capaz de fazer alguma coisa corajosa. De imediato, seria preciso que reconhecesse que a Igreja católica atravessa uma profunda crise. Depois, ele poderia facilmente fazer um gesto para os divorciados e dizer que sob certas condições eles podem ser admitidos à comunhão. Poderia corrigir sua teologia, que data do Concílio de Nicéia (em 325). Ele poderia dizer no futuro: “Eu aboli a lei do celibato para os padres”. Ele é mais poderoso que o presidente dos Estados Unidos! Ele não precisa prestar contas a uma Corte Suprema! Ele poderia também convocar um novo Concílio.

Um Vaticano III?

Isso poderia ajudar. Uma tal reunião permitiria regular as questões às quais o Vaticano II não respondeu, como o celibato dos padres ou o controle de natalidade. Poderia também prever um novo modo de escolha dos bispos, no qual o povo teria mais participação. A atual crise suscitou um movimento de resistência. Muitos fieis se negam a voltar ao antigo sistema. Mesmo os bispos foram obrigados ao criticar a política do Vaticano. A hierarquia não pode ignorar isso.

Sua reabilitação poderia fazer parte desses gestos fortes?

Seria, em todo o caso, mais fácil que a reintegração dos cismáticos! Mas eu não acredito nisso, porque Bento XVI se sente mais próximo dos integristas do que das pessoas comuns como eu, que trabalharam e aceitaram o Concílio.

IHU