Este Blog permanece ativo 24 horas por dia e somente informa os que aqui chegam, com assuntos que circulam pela internet e jornais. Não categoriza nem afirma isso ou aquilo como verdade absoluta. Não pretende desenvolver uma doutrina, nem convencer ninguém. Mas apenas que possamos refletir em assuntos importantes de nosso dia-a-dia. Portanto, tudo que for postado são de conteúdo informativo, cabendo a cada um ter suas próprias conclusões.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Lei de Crivella está preparando teólogos para uma nova era


O ex-pastor, ex-bispo, evangélico não praticante e atualmente Senador Marcelo Crivella (membro licenciado da seita IURD de Edir Macedo) enviou um projeto de lei (Psl 114/05) sobre o exercício da profissão de teólogo no mínimo suspeita .

Além das críticas recebidas sobre a definição do que é um teólogo, a tal legislação possui dois artigos que vão de encontro com a nova ordem mundial. No artigo 2 capítulo 3 Crivella pretende criar uma parceria muito inferior as concordatas do Vaticano; porém, atuante com o Estado. Compete ao teólogo, segundo esse artigo, prestar a consultoria necessária ao governo:

“Art. 2º. Compete ao Teólogo: III – assessorar e prestar consultoria a pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas, relativamente à realidade científica da religião…”

O artigo 3 abre as portas para a criação de ONGS evangélicas extremamente lucrativas que serão (se aprovada) uma fonte infinita de lavagem de dinheiro pelos grandes líderes “evangélicos” como o seu criador Edir Macedo:

“Art. 3º. É permitida a formação de empresas ou entidades de prestação de serviços previstos nesta Lei, desde que mantenham Teólogo como responsável técnico…”

A missão do teólogo da nova era está muito longe de dar conselhos espirituais para políticos pecadores. As metas do CFT (Conselho de Teólogos do Brasil) é criar teólogos para serem líderes comunitários , trabalharem pela causa ambiental e a cidadania global. Isso está de acordo com o plano da ONU e a implantação da Agenda 21 em escala mundial que terminará uma ordem mundial portadora do Sinal, nome e número de letras do nome de Bah’u’llah.

Os artigos dessa lei foram inspirados na teologia escatológica que prevê a reconstrução do paraíso socialista na terra liderados pela Rússia e China. Somente pessoas totalmente desinformadas podem acreditar na existência de um paraíso governado por essas duas potências.

A lei de Crivella também fala da participação dos teólogos em projetos de âmbito global. A ênfase vai para o parágrafo 4 do artigo 2 que fala sobre a união entre a ciência e religião.

“IV – participar dos trabalhos de elaboração, supervisão, orientação, coordenação, planejamento, programação, implantação, direção, controle, execução, análise ou avaliação de estudo, trabalho, pesquisa, plano, programa ou projeto global, regional ou setorial, atinente à realidade científica da religião.”

Ora, esse é um dos princípios de Baha’u’llah de total importância para o estabelecimento da nova ordem mundial, pois os seus sinais serão comprovados cientificamente e com aval dos teólogos da nova era. Para ensinar esses conceitos aos cristãos, afigura ímpar de Abdu’l’bahá evangelizou várias igrejas em 1912 que abriram as portas para a nova era de Baha’u’llah como na palestra abaixo (onde se lê DEUS substitua por Baha’u’llah):

“…A ciência é o esplendor do Sol da Realidade, o poder de investigar e descobrir as verdades do universo, um meio pelo qual o homem encontra caminho em direção a Deus…” (23 DE ABRIL DE 1912 Palestra de Abdu’l’bahá à Sociedade Literária Bethel – Igreja Episcopal Metodista Africana Metropolitana Rua M, NW, Washington, D.C)

O que dizer dia diante disso? Ora, falsos cristãos inexperientes na criação de legislação só geram embaraços nesse mundo se esquecendo da verdadeira causa:

Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. (II Timóteo 2 : 4)

Mais importante que a aprovação dessa lei é que podemos analisar como o espírito de Baha’u’llah opera na mente desses supostos cristãos até que a causa da unidade esteja totalmente estabelecida na esfera política:

“…A Ordem Mundial de Bahá’u'lláh liberou estas forças continuará, em Sua sabedoria inescrutável e por seu poder onipotente, a moldar e dirigir o curso deles para a glória, a emancipação final, e o reconhecimento absoluto de Sua Fé…” (Shoghi Effendi- Guardião da Fé Bahá’i.)

http://cft.org.br/home2/index.php/conheca-o-cft/planejamento.html?start=1

Senado vota projeto de lei que regulamenta profissão de Pastor

Diretor de Faculdade Protesta contra Lei da Profissão de Pastor

Profissão de Pastor é aprovada

Via: Apocalipsetotal

domingo, 7 de março de 2010

Senado vota projeto de lei que regulamenta profissão de pastor


No final de 2009 uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) gerou muitas divergências sobre o PLS 114/05. Elaborado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) o projeto defende a regulamentação da profissão de teólogo. Segundo o relator da matéria, senador Paulo Paim, o tema era muito explosivo e seria necessário debater o assunto em março em 2010.

Muitas pessoas encaminharam e-mail para Paim, pedindo para que a profissão não fosse regulamentada. A presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) concordou com a prorrogação do debate, já que outras muitas religiões precisam ser ouvidas e o assunto é bem complexo.

Participaram da audiência Darcy Cordeiro, vice-presidente do Conselho Interconfessional para o Ensino Religioso de Goiás (Ciergo); Isaías Lobão Pereira Jr., professor da Faculdade Evangélica de Brasília; João Batista Isaquiel Ferreira, presidente da Convenção Brasileira dos Ministros das Igrejas, Assembleias de Deus, Ministérios de Missões e Igrejas Filiadas (Cobramad) e Valmor da Silva, vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica.

Darcy Cordeiro disse que é preciso distinguir melhor o bacharelado de licenciatura, além de discordar com o inciso III do artigo 1º, no qual são considerados teólogos aqueles que exercem a atividade há mais de cinco anos, mesmo sem ter diploma.

Isaías Lobão já defendeu o inciso III, argumentando que “teólogos sem formação acadêmica estão na labuta diária, mas não deixam de buscar a educação formal que lhes falta”. Já João Batista pediu que a tramitação do PLS seja urgente. Já Valmor da Silva disse que “é melhor definir o que é a profissão, senão, ao invés de beneficiar os teólogos pode prejudicá-los”. Valmor lembrou que a licenciatura em teologia não existe no Brasil e classificou os cursos livres que não são regulamentados como problemas. Valmor disse também que sem diploma não há maneira de exercer a profissão, “tem que ter preparo acadêmico”.

PLS 114/05

O Projeto de Lei do Senado (PLS) de número 114/05 elaborado por Marcelo Crivella, senador pelo partido PRB-RJ e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, regulamenta a profissão, até mesmo para aqueles que não são formados em teologia. Além disso, o texto de Crivella prevê a criação, pelo Poder Executivo, de um Conselho Nacional de Teólogos.

De acordo com as cláusulas do projeto, só poderá exercer a profissão e ser considerado teólogo aquele que tiver curso superior de teologia reconhecido pelo poder público; diplomado em curso superior similar no exterior, após revalidação do diploma no Brasil; e os que, embora não diplomados, estejam exercendo a atividade quando a lei for publicada. Enfim, para os que não têm formação superior em teologia basta praticar vida contemplativa, realizar ações sociais na comunidade ou estar há mais de cinco anos exercendo a atividade efetivamente para se declarar teólogo.

No Projeto de Lei, discrimina-se a função de um teólogo, que é de supervisionar, orientar, coordenar, planejar, elaborar, programar, implantar, dirigir, executar, analisar ou avaliar estudos, trabalhos, pesquisas, planos, programas e projetos atinentes à realidade científica da religião.

Acontece que esse projeto não foi incentivo somente do bispo e senador Marcelo Crivella, mas também do ex-deputado (PMDB-MT) e pastor da Assembleia de Deus Victorio Galli, que com o projeto de número 2.407/07 abre ainda mais o leque. Para Galli, teólogo é aquele que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos. Dirige e administra comunidades, pesquisa a doutrina religiosa, transmite ensinamentos religiosos, orienta pessoas, pratica a vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição.

Se fosse seguir esse perfil, passaria de um milhão o número de pessoas entre padres, sacerdotes, obreiros, ministros e pastores de todas as religiões consideradas teólogos, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

OPOSIÇÃO A BANALIZAÇÃO

O presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter), Afonso Ligorio Soares e o professor Paulo Fernandes de Andrade, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), levaram suas objeções a Crivella, mas não conseguiram que ele desistisse do projeto. Afonso Soares acredita que os projetos, tanto o 114/05 quanto o 2.407/07 são invasivos e não adequados a constituição do país, que garante liberdade de escolha. “Os projetos são inconstitucionais, porque interferem na liberdade religiosa e na liberdade de a igreja se definir internamente, pois é ela que decide quem pode ser sacerdote ou pastor”.

Uma nota emitida em julho de 2008 pela Soter falava que os dois projetos feriam frontalmente a liberdade religiosa e o princípio constitucional de separação Igreja e Estado. Para a entidade, cabia às diferentes tradições religiosas, e não ao estado, definir quem é, em cada uma delas, Teólogo e Teóloga.

O presidente da Soter, Afonso Ligorio Soares, afirma que o teólogo presta, antes de mais nada, um serviço interno à comunidade a que pertence. E, só em um segundo momento, atua como porta-voz e intérprete das perspectivas da sua religião para a sociedade em geral. "Não cabe ao estado dizer quem é o porta-voz de uma igreja", afirma Soares.

O pastor presbiteriano Fernando Bortoletto Filho, diretor-executivo da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, que tem 40 filiados de diferentes denominações, disse ter ficado perplexo com a generalização do conceito de teólogo. "As escolas formam bacharéis em Teologia que não são considerados teólogos. Merece esse título quem tem produção científica própria, a ponto de se tornar referência por seu pensamento", define Bortoletto, citando como exemplo o católico Leonardo Boff. "Há professores de Teologia que não são teólogos", acrescentou.

O diretor do Seminário Presbiteriano de São Paulo, reverendo Gerson Lacerda, concorda. "Fiz curso de Teologia, mas não sou teólogo", diz. Lacerda preocupa-se também com a criação de conselhos ou ordens de teólogos. "Não me filiei a nenhum deles, nem vejo necessidade.''

A FAVOR

Para o padre Márcio Fabri, professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da Arquidiocese de São Paulo e ex-presidente da Soter, o teólogo exerce um serviço confessional que é interno às comunidades, às quais cabe regulá-lo.

Os projetos receberam parecer favorável do senador Magno Malta (PR-ES), pastor da Igreja Batista.

"Acima de qualquer outra profissão, a profissão de fé exige muito mais de vocação e devoção do que de formação acadêmica", afirmou Crivella. "Contudo, creio que seja útil, embora não indispensável, uma formação em Teologia.'' Questionado sobre sua formação, o senador Crivella respondeu que ela ocorreu "na prática". "Professo o evangelismo desde os meus 14 anos de idade e, a par do ministério que exerci no Brasil, também atuei como missionário por quase dez anos na África. Assim, a minha formação decorre de uma longa experiência de convívio com Deus e a Sua Palavra.''

Via: Conscienciacrista

quinta-feira, 4 de março de 2010

Profissão de Pastor é aprovada

Uma enquete realizada pelo portal Creio indicou que 47% dos internautas são a favor do projeto de lei, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB), que transforma teologia em profissão. Segundo eles medida beneficiaria e possibilitaria o futuro destes líderes.

http://inforgospel.files.wordpress.com/2010/03/pastor.jpg

O Projeto de Lei do Senado (PLS) de número 114/05 elaborado por Marcelo Crivella, senador pelo partido PRB-RJ e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, regulamenta a profissão, até mesmo para aqueles que não são formados em teologia. Além disso, o texto de Crivella prevê a criação, pelo Poder Executivo, de um Conselho Nacional de Teólogos.


De acordo com as cláusulas do projeto, só poderá exercer a profissão e ser considerado teólogo aquele que tiver curso superior de teologia reconhecido pelo poder público; diplomado em curso superior similar no exterior, após revalidação do diploma no Brasil; e os que, embora não diplomados, estejam exercendo a atividade quando a lei for publicada. Enfim, para os que não têm formação superior em teologia basta praticar vida contemplativa, realizar ações sociais na comunidade ou estar há mais de cinco anos exercendo a atividade efetivamente para se declarar teólogo.


No Projeto de Lei, discrimina-se a função de um teólogo, que é de supervisionar, orientar, coordenar, planejar, elaborar, programar, implantar, dirigir, executar, analisar ou avaliar estudos, trabalhos, pesquisas, planos, programas e projetos atinentes à realidade científica da religião.


Para 39,21% dos internautas a regulamentação mostra a total crença e fé destes pastores.

Veja O proteso de diretor de Faculdade contra essa Lei da Profissão Pastor.

Creio

terça-feira, 17 de março de 2009

‘Roma sempre quer ter razão’, diz teólogo

Hans Küng, um dos maiores pensadores contemporâneos, chega a Madri para apresentar a segunda parte de suas memórias com o título Verdad controvertida, editadas pela Trotta. Trata-se, sobretudo, do relato de suas disputas com a hierarquia católica, em especial com o atual Pontífice romano, Joseph Ratzinger. Os dois trabalharam no Concílio Vaticano IIJoão XXIII como peritos, e mais tarde trabalharam juntos, de maneira muito amistosa, na Faculdade de Teologia de Tübingen (Alemanha). Ambos realizaram um trabalho teológico de grandes proporções, o que os catapultou à fama internacional:
(1962-1965), convidados por

Ratzinger como grande inquisidor, e Küng erigido em referência mundial da ciência teológica, com livros que chegaram a tiragens milionárias.

A entrevista é de Juan G. Bedoya e publicada pelo jornal espanhol El País, 16-03-2009. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Há pessoas que dizem ter sentido “males físicos” lendo o relato de suas tribulações ante Roma. Como é possível que uma instituição que invoca continuamente o amor ainda trate assim muitos de seus melhores teólogos?

Também tive dificuldades para escrever cena após cena. Mas, mesmo que doloroso, era necessário que, em benefício da verdade, ficasse registrado tudo isto, assim como aconteceu desde a perspectiva do afetado. Espero que o leitor não perceba desejo de ajustar contas e desprezo, mas decepção e tristeza. Mesmo dando nome às responsabilidades, quis evitar ataques pessoais e vingativos ajustes de contas.

Na Espanha se disse que quem ri por último, ri duas vezes.

Também na Alemanha. Depois da Sexta-feira Santa vem a Páscoa. Não é à toa que “quem ri por último ri melhor”, para que fique claro quem ganhou. Não. Refiro-me à redimida alegria da Páscoa que me foi presenteado, uma alegria que se funda numa fé alegre e que vem acompanhada da esperança.

As disputas eclesiais parecem uma luta de poder.

Nada porque há disputas; mais, em certas ocasiões convém que elas existam. Disputas pela verdade, claro. Tudo depende dos meios com que se dirime, e se a disputa pela verdade se realiza com veracidade e jogo limpo. Em especial, na Igreja, a disputa pela verdade nunca deveria degenerar numa luta pelo poder, realizada com meios violentos, quer sejam mundanos ou espirituais. Mas de uma ou de outra forma, Roma sempre quer ter razão. Para ela, um único dissidente sem castigo que mostrar que também é possível pensar de outro modo coloca todo o sistema em perigo.

Você, homem famoso e escutado por onde quer que vá, também tem poder.

Está fora de qualquer dúvida que também o cientista tem poder. O filósofo inglês Francis Bacon já formulou isso no século XVIII. Não se trata simplesmente de abolir o poder [do Papa]. Nunca reclamei isso. Seria ilusório na Igreja. Mas é preciso relativizar o poder desde a consciência cristã e para utilizar esse poder não para dominar, mas para servir.

O primeiro volume de suas memórias tem por título Libertad conquistada. O de agora, Verdad controvertida. Falta fazer a memória de seu último terço de sua vida (a partir de 1980, ou seja, quando completa 52 anos). Já tem título para esse período?

Tenho vários títulos in petto. Mas ainda não estão suficientemente amadurecidos para torná-los públicos. Além disso, não sei se não terei que escrever esta última parte de minha autobiografia no céu.

Após a morte de João Paulo II você esperava a escolha de um Papa que retomasse o espírito de João XXIII e do Vaticano II. Foi escolhido Ratzinger. Deixará pegadas?

Joseph Ratzinger não era meu candidato ideal, como ele sabe. Mas, nossa amistosa conversa de quatro horas em Castelgandolfo [residência de verão do Papa] em 2005 despertou em mim a esperança de que não manteria o rumo do inquisidor retrógrado, mas que desenvolveria, na linha do Concílio Vaticano II, ao menos algumas reformas. Entretanto, até o momento o Pontificado decepcionou cada vez mais muitos católicos. Temo muito que, como no caso de Paulo VI e de sua Encíclica Humanae Vitae, de Bento XVI, sejam lembrados sobretudo os seus graves erros.

Há agora menos pressão sobre os teólogos livres do que quando Ratzinger presidia a Congregação para a Doutrina da Fé?

Até agora, só buscou a reconciliação com grupos dissidentes cismáticos, anticonciliares, antiecumênicos e antimodernos da extrema direita. Com as sanções a teólogos como Jon Sobrino e Roger Haight deu continuidade à velha práxis do ex-Santo Ofício. Se realmente estiver tão preocupado com a reconciliação, poderia reconciliar-se, por exemplo, com a Teologia da Libertação latino-americana.

O perdão papal veio para os lefebvrianos, tidos como de extrema direita eclesial.

Já em 1977, o arcebispo cismático Lefebvre disse numa entrevista que “o novo cardeal Ratzinger se propôs a intervir ante o Papa para encontrar uma solução”. Posteriormente, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, manteve um contato interrompido com os lefebvrianos. Sem dúvida, do ponto de vista de sua mentalidade se sente próximo de muitas de suas inquietudes.

Mais próximo deles, em qualquer aspecto, do que de nós, os teólogos reformistas. E considerou que agora havia chegado o momento adequado para suspender a excomunhão. Naturalmente, não ignorava que todo o grupo tinha uma orientação antijudaica e antimoderna. Acreditava que poderia fazer vistas grossas a tudo isso. A indignação mundial o tomou totalmente de surpresa. Agora, toma o assunto de forma muito pessoal, quando teria que responsabilizar-se por ter tomado uma decisão equivocada. Não só teria que admitir os seus erros, mas manter essa excomunhão.

Unissinos


terça-feira, 10 de março de 2009

O impacto de Calvino em Genebra e além

A celebração do quinto centenário do nascimento de João Calvino é uma ocasião propícia para rememorar a profunda influência que o reformador exerceu na Genebra de seu tempo.
E também para reconhecer a repercussão que seus escritos e propostas teológicas tiveram em outros rincões da Suíça e, com o tempo, mundo afora.






Legenda da foto: A catedral protestante de São Pedro, em Genebra, fotografada ao estardecer. (Keystone)

Calvino era francês e sua vinda a Genebra em 1536, aos 27anos de idade, foi fruto de um acaso. Imbuído das ideias humanistas da Renascença e simpatizante das posições anti-papistas do frade alemão Martinho Lutero, ele era mal-visto na França católica do rei Francisco 1°.

Sua primeira vinda à Suíça, em 1535, foi a Basileia, cidade que já aderira à reforma protestante sob a influência de João Ecolampádio e Oswaldo Micônio. Calvino aí permaneceu durante cerca de um ano e aí escreveu a primeira versão, em latim, de sua Instituição da Religião Cristã, obra que se tornaria a referência teológica maior das igrejas reformadas "Calvinistas" no mundo inteiro.

28 anos em Genebra

De volta à França, no curso de uma prolongada viagem em direção de Estrasburgo (que desde 1529 também abraçara as ideias de Lutero), Calvino teve de pernoitar em Genebra, onde Guilherme Farel vinha lutando há algum tempo para implantar a reforma. Quando soube da presença de Calvino na cidade, foi logo vê-lo e, à força de argumentos de toda sorte, conseguiu convencê-lo de ficar aí algum tempo a fim de ajudá-lo a consolidar a obra iniciada por Farel.

O "algum tempo" se prolongou e, salvo uma interrupção de dois anos e meio (quando foi banido da cidade pelo Conselho que o acusava de ingerência da igreja na esfera civil), Calvino passou o resto de sua vida, 28 anos, em Genebra. Tempo suficiente para aplicar na igreja e na sociedade seu ambicioso projeto de Reforma.

Com o apoio das autoridades civis, Calvino usou de sua liberdade de ação para reestruturar a igreja agora desvencilhada das amarras de Roma, promover a pregação do Evangelho exclusivamente segundo os ensinos da Bíblia, estabelecer novas diretrizes litúrgicas e sacramentais (só dois sacramentos: batismo e Santa Ceia) e capacitar os pastores (vários deles ex-padres) para sua nova missão. Formulou também normas de disciplina ética, de dedicação ao trabalho, senso de responsabilidade e austeridade de vida a serem aplicadas aos fiéis em geral a fim de coibir o que ele considerava certas tendências "libertinas" na sociedade.

Disciplina mas não despotismo

No que diz respeito a essa disciplina Calvinista, de rigor não raro excessivo, ela era ressentida por alguns como atentatória à liberdade cidadã.

A noção, porém, de que Calvino exercia um poder despótico ou que pretendia criar em Genebra uma teocracia protestante, é simplesmente caricatural. Esquece-se que um dos pilares de sua teologia era a Sola gratia, ou seja, é unicamente pela generosa misericórdia de Deus que somos salvos e não por qualquer desempenho ético de nossa parte.

Já o caso do teólogo Serveto, acusado de heresia e condenado à pena capital pelo Conselho da cidade, é mais ambíguo. Calvino omitiu-se de intervir, como poderia, para evitar a aplicação da pena. Seria uma prova de conivência do reformador com a intolerância doutrinária própria do seu tempo? Muito tempo depois, em 1903, os herdeiros genebrinos do reformador fizeram ato de penitência por essa omissão com uma estrela no local da execução de Serveto.

Por outro lado, essa disciplina Calvinista explica em boa parte a prosperidade econômica que a Reforma trouxe a Genebra. Não é por acaso que certos estudiosos, Max Weber e outros, vêem no Calvinismo o germe do capitalismo moderno.

Pólo de irradiação

De qualquer modo, com Calvino a Reforma triunfou em Genebra e permeou a sociedade a ponto de a cidade tornar-se um pólo de irradiação do Calvinismo às cidades vizinhas e muito além. A ela afluíram refugiados franceses huguenotes em grande número, mormente com a revogação do Edito de Nantes em 1685. A "Roma protestante" tinha agora gravadas em seu emblema as palavras ostensivas Post tenebras, lux (Depois das trevas, luz).

Mas, para o humanista Calvino a Reforma não era apenas um programa eclesiástico. Ela almejava transformar a sociedade. A Academia que ele contribuiu a criar em Genebra, e da qual o primeiro reitor foi Teodoro de Beza, amigo fiel de Calvino, não visava somente a preparar jovens para o ministério da Igreja. Era também para formar uma elite esclarecida e apta para "a governança civil" e, como tal, serviu de modelo para instituições análogas em outras cidades européias.

Essa Academia tornou-se, na realidade, o núcleo da hoje prestigiosa Universidade de Genebra. O Hospital Geral de que se dotou a cidade em seu tempo atendia os menos favorecidos da sociedade e demandava a generosidade e solidariedade social dos crentes em geral. Muitos atribuem a criação da Cruz Vermelha Internacional de hoje, sediada em Genebra, à influência moral do Calvinismo.

Obra em 60 volumes

Mesmo enfermo nos últimos anos de sua vida, Calvino continuou ocupado em escrever (sua produção literária é imensa e uma recente edição de suas Obras Gerais conta nada menos de 60 volumes), em pregar o Evangelho (em regra, várias vezes por semana), em ensinar teologia e Bíblia na Academia e, muito importante, a manter a assídua correspondência com outros promotores da Reforma no país e no estrangeiro a fim de confortá-los e orientá-los na sua árdua e nobre tarefa.

Foi por correspondência que redigiu a Confissão de Fé adotada pela Igreja Reformada da França, seu país natal. Pouco afeito a honras e a privilégios, Calvino morreu sem grande alarde em 1564, aos 55 anos, e foi enterrado em sepultura sem lápide e de localização hoje incerta.

Meio milênio passado, a marca da influência de Calvino e do Calvinismo permanece viva e atuante. E isso apesar do inelutável processo de desgaste religioso por que passam todas as sociedades de nosso tempo.

Genebra, por exemplo, é hoje uma metrópole secularizada, mundana, mais conhecida pelas suas instituições financeiras e órgãos internacionais do que pela piedade cristã de seus cidadãos.

Movimentos migratórios recentes fizeram com que mais da metade da sua população é católica. E a participação dos fiéis protestantes aos cultos dominicais declina a olhos vistos.

Não obstante, para lembrar e afirmar as raízes Calvinistas da cidade, aí estão localizados o imponente Muro da Reforma, o Museu Internacional da Reforma; o emblema da cidade proclama ainda o sempiterno Post tenebras lux, e os membros do Conselho da cidade continuam a prestar seu juramento de posse na Catedral "de Calvino". E não é por nada que o Conselho Mundial de Igrejas, cuja criação deve muito a vultos do protestantismo reformado (ou presbiteriano), tem sua sede em Genebra.

No plano internacional, as igrejas que se reclamam da herança de Calvino se estendem hoje desde a América do Norte até a Coreia do Sul, e desde a Holanda até a África do Sul. Só no Brasil há pelo menos cinco denominações reformadas (presbiterianas) com um total de mais de um milhão de adeptos. E uma das mais prestigiosas instituições de ensino superior no país, a Universidade Mackenzie, tem origem no presbiterianismo norte-americano.

75 milhões de herdeiros

A Aliança Reformada Mundial, sediada em Genebra, representa 75 milhões de cristãos que se reconhecem herdeiros de Calvino, dispersos em 107 países. Em termos de amplitude de expansão do protestantismo originário da reforma do séc.16 no mundo, só a Igreja Luterana se compara com a Igreja que se inspirou na obra de Calvino.

Poucas são as figuras na história da igreja que exerceram o impacto profundo e duradouro de João Calvino. A celebração do quinto centenário de seu nascimento é pois uma homenagem mais que merecida ao homem de têmpera, mas também abnegado, que desencadeou, de Genebra, a dinâmica de um processo de reafirmação da livre graça de Deus a toda humanidade e de desafio a viver perante esse Deus com sincera gratidão e agudo senso de responsabilidade humana.

*Pastor e teólogo, ex-diretor do Programa de Formação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra.

Fonte

sábado, 7 de março de 2009

Arcebispo do Recife diz que Lula deve procurar teólogo

Médicos e mãe foram excomungados após fim de gravidez de menina.
Presidente disse que 'medicina está mais correta que a Igreja'.


O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, disse, neste sábado (7), que os envolvidos na interrupção da gravidez de gêmeos de uma menina de 9 anos podem ser perdoados, se mostrarem arrependimento. A declaração foi dada durante missa da Campanha da Fraternidade na Basílica do Carmo.

"Não existe pecado sem perdão, mesmo para a pessoa que cometeu aborto. Agora, para receber o perdão é preciso arrepender-se, é preciso uma conversão", disse Sobrinho.

O aborto ocorreu na quarta-feira (4). Em seguida, o arcebispo anunciou que a mãe da garota e os médicos que participaram do aborto foram excomungados.

Neste sábado, o arcebispo também rebateu as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao comentar o caso, o presidente disse, na sexta-feira (6), que a " medicina está mais correta que a Igreja ". Para Sobrinho, Lula deve buscar a assessoria de algum teólogo para falar com mais propriedade sobre o tema. "Se o presidente da República deseja fazer um pronunciamento sobre um tema teológico, eu sugeriria que ele primeiro tivesse ajuda de seus assessores que conheçam a doutrina da Igreja Católica."


No Paraná, o bispo primaz dom Geraldo Majella Agnelo também falou sobre o assunto. "Se o governo não defende a vida humana, desde sua concepção, quem vai defender? Só mesmo quem tem fé", afirmou. "Hoje que a medicina tem tantos meios, tantos recursos, que vá acompanhando o curso da natureza. O que ela não pode fazer é matar a mãe, nem a criança."

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota, na sexta, em que destaca o mandamento "não matarás" e reforça as críticas feitas ao aborto. A imprensa italiana informou que o Vaticano apoia a decisão do arcebispo.

Violência

A gravidez da criança foi descoberta logo após o carnaval. Ela reclamou de dores e foi levada a uma unidade de saúde. Os médicos classificaram a gestação de 15 semanas como de alto risco, pela idade e por ser de gêmeos. Segundo os médicos, a mãe pediu para que o aborto fosse realizado.

O padrasto da menina foi preso, suspeito de ter abusado da garota e ser pai dos bebês que ela esperava. De acordo com a polícia, a menina sofria violência sexual desde os 6 anos.

A menina teve alta nesta sexta-feira e passa bem, segundo o diretor do hospital em que ela estava internada, Sérgio Cabral. Ela e a mãe devem ser encaminhadas para um abrigo no Recife, por determinação do Ministério Público. Elas não devem voltar imediatamente para Alagoinha (PE), onde moravam.

Campanha da fraternidade

Antes da missa deste sábado, na Basílica do Carmo, fiéis espalharam sapatos, para lembrar as 768 pessoas assassinadas, desde janeiro, em Pernambuco. Fraternidade e Segurança Pública é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano.

G1


segunda-feira, 2 de março de 2009

A entrevista de Hans Küng é um erro', afirma cardeal

Houve uma longa entrevista com o teólogo suíço Hans Küng, crítica, como já o fora no passado para com Bento XVI, publicada pelo jornal La Stampa. E surge o imediato protesto do arcebispo de Turim, o cardeal Severino Poletto, e de todos os bispos piemonteses, “amargurados” pela escolha do jornal “precisamente enquanto a Igreja turinense está empenhada na preparação de uma nova Exposição do Sudário em 2010, e se prepara, naquela ocasião, para acolher com entusiasmo o Santo Padre”. A polêmica, não a única que nestes dias viu empenhado o arcebispo (precedentemente havia declarado que “orava” para que a presidente da Região, Mercedes Bresso, mudasse de idéia sobre o caso Englaro), explodiu ontem à tarde com duas notas difundidas pelas secretarias da Cúria. Não sem alvoroço por aquilo que um autorizado colaborador da Stampa, como Gianni Vattimo, já definiu como “a tentativa de censura de quem se sente atualmente em minoria”.

A reportagem é de Vera Schiavazzi e publicada pelo jornal La Repubblica, 27-02-2009. A tradução é de Benno Dischinger.

A entrevista com Küng, o principal teólogo católico do dissenso, entre os primeiros a contestar precisamente a infalibilidade papal, fora publicada na véspera pelo Le Monde e intitulada de modo análogo (“A igreja católica corre o risco de se tornar uma seita”), sem que, no entanto, nem as hierarquias católicas francesas, nem outras pessoas protestassem pela iniciativa do cotidiano de Paris. Ponto central do colóquio, a revogação da excomunhão, e a subseqüente correção de rota, para o bispo lefebvriano negacionista Richard Williamson: “Também se o Papa não tinha conhecimento dos discursos negacionistas e ele pessoalmente não seja anti-semita, todos sabem que aqueles quatro bispos o são – declarou Küng -. O problema fundamental é a oposição ao Concílio Vaticano II e a recusa de uma nova relação com o judaísmo: um Papa alemão deveria ter avaliado melhor a questão e mostrar-se privo de ambigüidade sobre o Holocausto, como prontamente o fez a chanceler Angela Merkel”.

Palavras mais que suficientes, uma vez que a entrevista foi republicada no cotidiano turinense, para impelir Poletto a manifestar “desconcerto e amargura” e a convidar os fiéis “neste tempo de Quaresma a rezar para que o Senhor dê ao Santo Padre o seu conforto e lhe faça sentir toda a nossa proximidade e total sintonia com o seu Magistério”. “Espero – acrescentou o Cardeal – um comportamento bem mais atento para com a Igreja católica. Turim ama o Papa e o aguarda com afeto”. Palavras análogas chegaram da Conferência episcopal piemontesa: “Um ataque infundado que alimenta a desinformação. Causa-nos estranheza que um jornal como La Stampa não saiba avaliar posições que gostariam de se apresentar como abertas e inovadoras e acabam sendo, ao invés, repetitivas, provincianas e descontadas”.

Foi pronta e nítida a réplica de Giulio Anselmi, diretor do cotidiano do Grupo Fiat: “Hans Küng é um grande teólogo e intelectual que teve com este Papa relações diversificadas e nem sempre negativas. Disse coisas interessantes e nós as publicamos, sendo de meu desagrado que o cardeal Poletto se irrite com isso. Mas, é correto que cada um exprima o seu ponto de vista: também o cardeal, figura de suma autoridade, que de resto dispõe de um jornal próprio, como qualquer outro. Temos leitores de vários tipos, e só podemos ter um comportamento laico”. Para o filósofo Gianni Vattimo, “estamos diante da censura, da decapitação de cada possível debate. O típico delírio de onipotência de quem está perdendo toda autoridade”. Enquanto o constitucionalista Gustavo Zagrebelsky observa: “Numa democracia, às críticas dever-se-ia responder com argumentos, e não se declarando ofendidos. O respeito ao Papa, como a todos, é um dever, mas é normal que a sociedade civil se interesse por aquilo que ocorre na igreja católica, precisamente como acontece o inverso. Dir-se-ia que é a igreja que ainda não está habituada com isso”.

IHU