Este Blog permanece ativo 24 horas por dia e somente informa os que aqui chegam, com assuntos que circulam pela internet e jornais. Não categoriza nem afirma isso ou aquilo como verdade absoluta. Não pretende desenvolver uma doutrina, nem convencer ninguém. Mas apenas que possamos refletir em assuntos importantes de nosso dia-a-dia. Portanto, tudo que for postado são de conteúdo informativo, cabendo a cada um ter suas próprias conclusões.
Mostrando postagens com marcador Genebra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Genebra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Os Carteiros Saltitantes de Genebra

Todos os anos, jovens atléticos no condado de Woworth, em Wisconsin, tentam um emprego de verão único - salto de correspondência. Eles precisam provar que podem pular de um barco em movimento para um cais privado, entregar a correspondência e voltar para o barco antes que ele passe.

O Serviço Postal dos Estados Unidos contrata seis carteiros saltitantes todo verão e, para selecionar os melhores, realiza testes anuais no Lago de Genebra. Os candidatos devem provar que são atléticos o suficiente para pular do barco do correio EM MOVIMENTO, para a doca de madeira do destinatário da correspondência, entregar a correspondência na caixa de correio e, em seguida, pular de volta no barco antes que ela passe

Foto: Anna Harris / Flickr 

FONTE

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Jornalistas de investigação se reuniram em Genebra

Jornalistas dos cinco continentes estiveram reunidos durante quatro dias em Genebra para o 6° Congresso Mundial de Jornalismo de Investigação (GIJC) de 22 a 25 de abril.

O objetivo do congresso era a troca de experiências, através de um grande número de seminários e debates, com a presença de alguns dos mais renomados jornalistas de investigação.

Do financiamento das longas e dispendiosas enquetes ao relacionamento com a justiça, passando pelo setor financeiro, os esportes e o terrorismo, não faltaram exemplos de como os jornalistas de investigação trabalham. A troca de experiências é o principal objetivos dos congressos do GIJC.

Com a crise econômica que a imprensa em geral atravessa “é um tipo de jornalismo ameaçado de extinção”, afirma Jean-Philippe Ceppi, jornalista da televisão suíça e presidente do comitê de organização do GIJC 2010. “Mas o jornalistas dos cinco continentes estiveram reunidos durante quatro dias em Genebra para o 6° Congresso Mundial de Jornalismo de Investigação (GIJC) de 22 a 25 de abril.

O objetivo do congresso era a troca de experiências, através de um grande número de seminários e debates, com a presença de alguns dos mais renomados jornalistas de investigação.

Do financiamento das longas e dispendiosas enquetes ao relacionamento com a justiça, passando pelo setor financeiro, os esportes e o terrorismo, não faltaram exemplos de como os jornalistas de investigação trabalham. A troca de experiências é o principal objetivos dos congressos do GIJC.

Com a crise econômica que a imprensa em geral atravessa “é um tipo de jornalismo ameaçado de extinção”, afirma Jean-Philippe Ceppi, jornalista da televisão suíça e presidente do comitê de organização do GIJC 2010. “Mas o jornalismo de investigação é uma barreira contra os poderosos”, acrescenta Ceppi.

“Os governos mentem e escondem segredos. Cabe a nós revelar a verdade porque ela é de interesse público”, afirmou o estadunidense Seymour Hersh, de 73 anos, em uma das plenárias da conferência de Genebra. “Nós, jornalistas, cometemos erros, mas não mentimos”, acrescentou. Hersh é conhecido desde 1969, quando revelou o massacre de civis por soldados norte-americanos na guerra do Vietnã.

“Naquela época pensava que podia ser objetivo, mas quando o próprio presidente Kennedy disse que a guerra era imoral, descobri que o que tinha que procurar era a verdade. Então saí da atualidade e passei para a investigação”, onde está até hoje, explicou Seymour Hersh. Mais recentemente, foi ele quem revelou como prisioneiros iraquianos eram torturados por soldados estadunidenses em Abu Graib. Sua reportagem foi divulgada no mundo todo.

“Se não contarmos o que ocorre realmente, nada muda”, afirma Hersh. Ele dá como exemplo a vida familiar, “baseada na confiança e no respeito”. Nos Estados Unidos descobrimos faz tempo que não podemos esperar isso do poder”, diz Hersh, que trabalha essencialmente para o semanário The New Yorker.

Um estranho negócio

David Barstow, do jornal The New York Times, vencedor do Prêmio Pulitzer em 2009, por uma série de reportagens demonstrando a manipulação da opinião pública nos Estados Unidos na luta contra o terrorismo através da grandes cadeias de televisão e rádio. “O grosso da mídia em nosso país fazia mais relações públicas do que jornalismo, para convencer os americanos da necessidade da guerra no Iraque”, explicou Barstow. “Isso ocorria através dos consultores, geralmente em entrevistas, mas dirigidos pelo Pentágono, o ministério norte-americano da Defesa.

O jornalista trabalhou quase um ano no assunto (custo de aproximadamente 1 milhão de dólares), com apoio dos editores, e descobriu que o grupo próximo do então secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld, estava diretamente envolvido com interesses da indústria militar ou de segurança. “Os consultores “independentes” da mídia visavam contratos de centenas de milhões de dólares no Iraque e no Afeganistão”, explica David Barstow. Depois de publicados seus artigos, houve tentativas, sem sucesso, de denegri-lo. “Humsfeld vai publicar um livro de memórias, talvez eu tenha a honra dele me dedicar um capítulo”, disse o bem-humorado Barstow.

Isolado há quatro anos

A presença mais marcante e simbólica no GIJC, em Genebra, como convidado de honra, foi a do italiano Roberto Saviano, autor de Gomorra, publicado em 2006 e que deu origem ao filme do mesmo nome. O livro, que vendeu até agora 5 milhões de exemplares, trata da Camorra, a máfia napolitana, região onde Saviano, 30 anos, trabalhava como jornalista. Quando o livro começou a vender, Roberto Saviano foi jurado de morte pela Camorra e vive isolado, vigiado noite e dia. Em Genebra, ele estava acompanhado por guarda-costas.

“O problema é que a máfia não gosta de luz, que a impede de se reproduzir, mas não é o silêncio que vai ajudar os italianos”, diz Saviano. Questionado sobre a declaração do primeiro ministro Silvio Berlusconi que, recentemente, durante uma entrevista, disse que seu livro prejudicava a imagem do país, Saviano respondeu que “em um país em que a máfia fatura 200 bilhões de euros não é um livro, mas o escândalo do lixo de Nápoles que prejudicava a imagem do país”. No entanto, ele relativizou dizendo que “Berlusconi traduz o pensamente de uma parte dos italianos, que acha realmente que falar da máfia prejudica o país”.

Saviano explicou também que, apesar de muitas propostas não se sentia apto para o exílio e que, apesar de tudo, “a Itália é uma democracia e houve progressos na luta contra a máfia, embora o erro do governo é dizer que ela está extinta”.

Roberto Saviano afirma que as atividades da máfia não estão limitadas ao sul da Itália, mas atingem também os países do norte como Suíça, Espanha, França, Alemanha. Aliás, ele está escrevendo um novo livro sobre a globalização e o crime organizado. “Disseram tantas vezes que eu ia morrer, que não tenho mais medo”, afirmou em coletiva à imprensa em Genebra.

Questionado por swissinfo.ch como se sentia em poder falar, respondeu que “estou muito contente pois esta é a primeira vez que posso falar a tantos colegas jornalistas de investigação.

Claudinê Gonçalves, Genebra

Swissinfo

Contador visita

quarta-feira, 8 de abril de 2009

EUA e Irã encontravam-se secretamente em Genebra


Conversações entre o Irã e os Estados Unidos em Genebra ocorrem em sigilo.

Acadêmicos e especialistas do Irã, Estados Unidos e Europa estavam encontrando-se regularmente na cidade suíça de Genebra. Objetivo: discussões em alto nível, mas informais, começaram há seis anos.

A ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, confirma que estava a par dos contatos realizados nos últimos anos, mas que não teve um papel ativo.

"As conversações ocorrem em um nível puramente informal e o Ministério das Relações Exteriores não está envolvido", declarou Calmy-Rey na terça-feira (7/03).

Os encontros – um processo conhecido pelo código "Track II" – envolvendo acadêmicos do Irã, EUA, de países da União Européia, Suíça, países árabes e Israel, foram realizados em Genebra de acordo com um artigo publicado ontem no jornal Le Temps, de Genebra.

O jornal revelou que aproximadamente 30 participantes estavam presentes nos encontros realizados, sobretudo, na cidade de Calvino, mas também em outras cidades européias. A última reunião ocorreu teria ocorrido entre 6 e 8 de março de 2009.

No total, mais de 400 pessoas participaram das conversas secretas, mas dizem querer manter o anonimato por receio de represálias por parte do governo iraniano.

Washington e Teerã cortaram as relações diplomáticas há trinta anos, logo depois da Revolução Islâmica no Irã. Desde 1980, a Suíça representa os interesses dos Estados Unidos em Teerã.
Compreensão mútua

O Le Temps também cita um professor que declara ter participado das conversas secretas, ressaltando que o diálogo pode contribuir para uma maior compreensão mútua.

O acadêmico revela também que os participantes podem falar livremente e são pouco tentados a assumir posições políticas nas reuniões realizadas a portas fechadas. Estes encontros ocorreram com a aprovação de Teerã e Washington, afirma o Le Temps em sua reportagem.

O jornal conta que uma pessoa muito próxima do governo iraniano e um embaixador de outro país estiveram presentes em uma reunião no início de março.
Nuclear

Os participantes, entre os quais se incluem também especialistas em questões nucleares, estratégicas e em relações internacionais, teriam discutido sobre o desenvolvimento de tecnologia nuclear pelo Irã.

O Irã, como país signitário do tratado de não proliferação nuclear e é sobmetido à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), nega que esteja procurando obter um arsenal nuclear. O governo iraniano afirma que o enriquecimento de urânio conduzido pelos seus cientistas é para o fornecimento de energia e, portanto, para fins pacíficos.

Na última semana, a IAEA saudou as tentativas de aproximação coordenadas pelos EUA e a Rússia para prosseguir a estratégia diplomática em relação ao Irã, ao invés de uma política focada no isolamento e ameaças à república islâmica.

O governo norte-americano havia descrito o Irã em 2002 como parte do "Eixo do Mal" e não tem relações diretas com o país há mais de três décadas. As relações podem melhorar sob a administração do presidente Barack Obama.
Abertura diplomática

Observadores salientam que ainda é muito cedo para dizer se as conversas informais trarão resultados na forma de um acordo, mas acrescentam que as discussões alargaram a esfera de contatos entre os dois países.

No último mês Barack Obama conclamou o Irã a retomar o diálogo. Durante sua visita à Turquia, na segunda-feira, o presidente americano declarou que os EUA "não está e nunca estará em guerra com o Islã".

O líder reformista e candidato às eleições presidenciais de junho no Irã, Hossein Mousavi, afirmou ter intenções de negociar com os EUA, mas que seu país não abandonará o programa nuclear.

O Le Temps acrescentou que o local dos encontros informais foi transferido de Genebra, aparentemente devido ao crescente interesse público nas conversas. É possível que estes retornem à cidade de Calvino algum dia.

"Isso pode se tornar mais provável se a movimentação diplomática conduzida pela administração Obama começar a dar frutos", escreveu o jornal.

Fonte


terça-feira, 10 de março de 2009

O impacto de Calvino em Genebra e além

A celebração do quinto centenário do nascimento de João Calvino é uma ocasião propícia para rememorar a profunda influência que o reformador exerceu na Genebra de seu tempo.
E também para reconhecer a repercussão que seus escritos e propostas teológicas tiveram em outros rincões da Suíça e, com o tempo, mundo afora.






Legenda da foto: A catedral protestante de São Pedro, em Genebra, fotografada ao estardecer. (Keystone)

Calvino era francês e sua vinda a Genebra em 1536, aos 27anos de idade, foi fruto de um acaso. Imbuído das ideias humanistas da Renascença e simpatizante das posições anti-papistas do frade alemão Martinho Lutero, ele era mal-visto na França católica do rei Francisco 1°.

Sua primeira vinda à Suíça, em 1535, foi a Basileia, cidade que já aderira à reforma protestante sob a influência de João Ecolampádio e Oswaldo Micônio. Calvino aí permaneceu durante cerca de um ano e aí escreveu a primeira versão, em latim, de sua Instituição da Religião Cristã, obra que se tornaria a referência teológica maior das igrejas reformadas "Calvinistas" no mundo inteiro.

28 anos em Genebra

De volta à França, no curso de uma prolongada viagem em direção de Estrasburgo (que desde 1529 também abraçara as ideias de Lutero), Calvino teve de pernoitar em Genebra, onde Guilherme Farel vinha lutando há algum tempo para implantar a reforma. Quando soube da presença de Calvino na cidade, foi logo vê-lo e, à força de argumentos de toda sorte, conseguiu convencê-lo de ficar aí algum tempo a fim de ajudá-lo a consolidar a obra iniciada por Farel.

O "algum tempo" se prolongou e, salvo uma interrupção de dois anos e meio (quando foi banido da cidade pelo Conselho que o acusava de ingerência da igreja na esfera civil), Calvino passou o resto de sua vida, 28 anos, em Genebra. Tempo suficiente para aplicar na igreja e na sociedade seu ambicioso projeto de Reforma.

Com o apoio das autoridades civis, Calvino usou de sua liberdade de ação para reestruturar a igreja agora desvencilhada das amarras de Roma, promover a pregação do Evangelho exclusivamente segundo os ensinos da Bíblia, estabelecer novas diretrizes litúrgicas e sacramentais (só dois sacramentos: batismo e Santa Ceia) e capacitar os pastores (vários deles ex-padres) para sua nova missão. Formulou também normas de disciplina ética, de dedicação ao trabalho, senso de responsabilidade e austeridade de vida a serem aplicadas aos fiéis em geral a fim de coibir o que ele considerava certas tendências "libertinas" na sociedade.

Disciplina mas não despotismo

No que diz respeito a essa disciplina Calvinista, de rigor não raro excessivo, ela era ressentida por alguns como atentatória à liberdade cidadã.

A noção, porém, de que Calvino exercia um poder despótico ou que pretendia criar em Genebra uma teocracia protestante, é simplesmente caricatural. Esquece-se que um dos pilares de sua teologia era a Sola gratia, ou seja, é unicamente pela generosa misericórdia de Deus que somos salvos e não por qualquer desempenho ético de nossa parte.

Já o caso do teólogo Serveto, acusado de heresia e condenado à pena capital pelo Conselho da cidade, é mais ambíguo. Calvino omitiu-se de intervir, como poderia, para evitar a aplicação da pena. Seria uma prova de conivência do reformador com a intolerância doutrinária própria do seu tempo? Muito tempo depois, em 1903, os herdeiros genebrinos do reformador fizeram ato de penitência por essa omissão com uma estrela no local da execução de Serveto.

Por outro lado, essa disciplina Calvinista explica em boa parte a prosperidade econômica que a Reforma trouxe a Genebra. Não é por acaso que certos estudiosos, Max Weber e outros, vêem no Calvinismo o germe do capitalismo moderno.

Pólo de irradiação

De qualquer modo, com Calvino a Reforma triunfou em Genebra e permeou a sociedade a ponto de a cidade tornar-se um pólo de irradiação do Calvinismo às cidades vizinhas e muito além. A ela afluíram refugiados franceses huguenotes em grande número, mormente com a revogação do Edito de Nantes em 1685. A "Roma protestante" tinha agora gravadas em seu emblema as palavras ostensivas Post tenebras, lux (Depois das trevas, luz).

Mas, para o humanista Calvino a Reforma não era apenas um programa eclesiástico. Ela almejava transformar a sociedade. A Academia que ele contribuiu a criar em Genebra, e da qual o primeiro reitor foi Teodoro de Beza, amigo fiel de Calvino, não visava somente a preparar jovens para o ministério da Igreja. Era também para formar uma elite esclarecida e apta para "a governança civil" e, como tal, serviu de modelo para instituições análogas em outras cidades européias.

Essa Academia tornou-se, na realidade, o núcleo da hoje prestigiosa Universidade de Genebra. O Hospital Geral de que se dotou a cidade em seu tempo atendia os menos favorecidos da sociedade e demandava a generosidade e solidariedade social dos crentes em geral. Muitos atribuem a criação da Cruz Vermelha Internacional de hoje, sediada em Genebra, à influência moral do Calvinismo.

Obra em 60 volumes

Mesmo enfermo nos últimos anos de sua vida, Calvino continuou ocupado em escrever (sua produção literária é imensa e uma recente edição de suas Obras Gerais conta nada menos de 60 volumes), em pregar o Evangelho (em regra, várias vezes por semana), em ensinar teologia e Bíblia na Academia e, muito importante, a manter a assídua correspondência com outros promotores da Reforma no país e no estrangeiro a fim de confortá-los e orientá-los na sua árdua e nobre tarefa.

Foi por correspondência que redigiu a Confissão de Fé adotada pela Igreja Reformada da França, seu país natal. Pouco afeito a honras e a privilégios, Calvino morreu sem grande alarde em 1564, aos 55 anos, e foi enterrado em sepultura sem lápide e de localização hoje incerta.

Meio milênio passado, a marca da influência de Calvino e do Calvinismo permanece viva e atuante. E isso apesar do inelutável processo de desgaste religioso por que passam todas as sociedades de nosso tempo.

Genebra, por exemplo, é hoje uma metrópole secularizada, mundana, mais conhecida pelas suas instituições financeiras e órgãos internacionais do que pela piedade cristã de seus cidadãos.

Movimentos migratórios recentes fizeram com que mais da metade da sua população é católica. E a participação dos fiéis protestantes aos cultos dominicais declina a olhos vistos.

Não obstante, para lembrar e afirmar as raízes Calvinistas da cidade, aí estão localizados o imponente Muro da Reforma, o Museu Internacional da Reforma; o emblema da cidade proclama ainda o sempiterno Post tenebras lux, e os membros do Conselho da cidade continuam a prestar seu juramento de posse na Catedral "de Calvino". E não é por nada que o Conselho Mundial de Igrejas, cuja criação deve muito a vultos do protestantismo reformado (ou presbiteriano), tem sua sede em Genebra.

No plano internacional, as igrejas que se reclamam da herança de Calvino se estendem hoje desde a América do Norte até a Coreia do Sul, e desde a Holanda até a África do Sul. Só no Brasil há pelo menos cinco denominações reformadas (presbiterianas) com um total de mais de um milhão de adeptos. E uma das mais prestigiosas instituições de ensino superior no país, a Universidade Mackenzie, tem origem no presbiterianismo norte-americano.

75 milhões de herdeiros

A Aliança Reformada Mundial, sediada em Genebra, representa 75 milhões de cristãos que se reconhecem herdeiros de Calvino, dispersos em 107 países. Em termos de amplitude de expansão do protestantismo originário da reforma do séc.16 no mundo, só a Igreja Luterana se compara com a Igreja que se inspirou na obra de Calvino.

Poucas são as figuras na história da igreja que exerceram o impacto profundo e duradouro de João Calvino. A celebração do quinto centenário de seu nascimento é pois uma homenagem mais que merecida ao homem de têmpera, mas também abnegado, que desencadeou, de Genebra, a dinâmica de um processo de reafirmação da livre graça de Deus a toda humanidade e de desafio a viver perante esse Deus com sincera gratidão e agudo senso de responsabilidade humana.

*Pastor e teólogo, ex-diretor do Programa de Formação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra.

Fonte

terça-feira, 3 de março de 2009

Genebra ignora a atualidade de Calvino

Genebra comemora este ano o 500° aniversário de João Calvino, o reformador protestante que contribuiu para a fama internacional e econômica da cidade.

Para muitos, as celebrações programadas não estão à altura do prestígio do teólogo francês e fundador do Calvinismo.

João Calvino contribuiu para a fama internacional de Genebra.
Legenda da foto: João Calvino contribuiu para a fama internacional de Genebra. (Keystone)



Pelos seus escritos e os discípulos que formou, João Calvino iniciou e favoreceu o esplendor internacional de Genebra, uma notoriedade sob as cores do protestantismo que se prolongou até o século XX, como explica Bernard Lescaze.

"A ligação com Calvino motivou o presidente americano Woodrow Wilson a escolher Genebra como sede da Sociedade das Nações (1919), organização antecessora das Nações Unidas", cita como exemplo o historiador genebrino.

O reformador protestante também não chega a ser estranho à criação da Cruz Vermelha. "Seus fundadores, Henry Dunant e Gustave Moynier, estavam absorvidos pela ética protestante", lembra-se Lescaze.

Lescaze ainda acrescenta: "Genebra como cidade-refúgio também é uma herança de Calvino, um refugiado protestante". A Genebra internacional e humanitária deve então muito ao teólogo francês, assim como ao seu próprio mercado financeiro.

Redes econômicas

"Calvino valorizava o trabalho e aceitava que o dinheiro gerasse dinheiro, uma atitude rara na Europa da época. Isso favoreceu a gestão de fortuna e o desenvolvimento dos bancos privados em Genebra", ressalta o historiador Bernard Lescaze.

O setor também se aproveitou das redes de famílias protestantes que se instalaram na cidade acompanhando os passos de João Calvino.

O reformador protestante também modelou, segundo Lescaze, as instituições da cidade de Genebra até sua revolução em 1789. Dessa contribuição subsistiram o Colégio de Genebra (também conhecido como Colégio de Calvino) e a Academia (1559), que deu origem no século XIX à Universidade de Genebra.

Celebração criticada

A questão é que as comemorações genebrinas não estarão à altura do legado de João Calvino. Pelo menos essa é a opinião do jornal local. Ao se referir às importantes celebrações genebrinas de 1909, imortalizadas pela construção do chamado "Muro dos Reformadores", a Tribuna de Genebra estimou que as comemorações não estão à autura do evento.

Um julgamento que incomoda Bernard Lescaze. Em primeiro lugar, o historiador nota que nenhuma celebração chegou a ocorrer em 1709 e em 1809. Além disso, as comemorações de 1909 em Genebra também ocorreram em um contexto particular.

"Ainda bastante religiosa, a cidade acabava de ter vivido uma espécie de traumatismo com a separação da Igreja do Estado (1907). Nesse sentido, o 400° aniversário de Calvino foi então a ocasião de afirmar que a Igreja protestante ainda estava viva, forte e potente, além de reafirmar sua influência espiritual e moral na sociedade".

"No plano demográfico, os protestantes já não eram a maioria em 1909, mas ainda eram majoritários na esfera política e econômica."

Minoria protestante

Hoje a situação é completamente diferente. "A separação entre Igreja e Estado já não causa problema. Os protestantes representam apenas 22 a 25% da população genebrina e sua influência é ainda menor."

"Quanto à forma que as celebrações tomaram, se acreditava em 1909 na duração e ancoragem na história. Por isso era lógico construir um monumento de custo elevado: o Muro dos Reformadores."

"Hoje vivemos um tempo mais lúdico. As comemorações serão feitas de maneira mais branda, mais dispersa", avalia Lescaze.

Turismo histórico

Essa opinião não é compartilhada por Xavier Comtesse. "Não houve suficientemente reflexão sobre a marca realmente deixada por João Calvino. Essas celebrações são de fato pouco atraentes. É uma ocasião perdida, enquanto um número crescente de turistas quer seguir os traços da história e que nossos contemporâneos estão procura de sentidos", julga o diretor do grupo suíço de pesquisas Avenir Suisse.

A Secretaria de Turismo de Genebra já lançou várias atividades de promoção do ano de Calvino no mundo. "Encontramos um vivo interesse nos Estados Unidos", assegura Militza Bodi, encarregada de comunicação. Mas à oferta turística proposta (um pernoite, uma visita guiada e uma entrada no Museu da Reforma) falta ainda um destaque maior.

Certo, a austeridade do personagem e a aridez das suas considerações teológicas parecem estar a milhas de distância do espírito atual. Como prova, os meios genebrinos da autodenominada cultura alternativa batizaram a sua cidade com o nome de "Calvingrad" para denunciar o fechamento da maior parte dos espaços culturais autogestionados e o clima pesado de uma cidade "limpa e ordeira".

Calvino, o reformador

Porém Calvino também tem sua parte na modernidade. "A ortodoxia calvinista não durou muito tempo. Calvino também é a figura de um homem revoltado, que estabeleceu uma ligação direta entre o crente e Deus. Um espírito que ainda continua a soprar nos Estados Unidos e em inúmeras comunidades protestantes, como no Brasil ou na Coréia do Sul", salienta Bernard Lescaze.

Xavier Comtesse ainda acrescenta: "Poderíamos nos questionar quais as liberdades trazidas por Calvino. Ao escolher o francês (ao invés do latim) para as suas obras, ao favorecer o diálogo direto entre os indivíduos e Deus, Calvino pode ser visto como um libertador. Ele teria adorado a internet."

Swissinfo

sábado, 31 de janeiro de 2009

Centenas manifestantes protestam contra Fórum Econômico Mundial

Centenas de pessoas protestaram em Genebra e em Davos neste sábado contra o Fórum Econômico Mundial, dizendo que a elite que se juntou ali para a reunião anual não é qualificada para resolver os problemas do mundo.

Centenas de pessoas protestaram em Genebra e em Davos neste sábado contra o Fórum Econômico Mundial, dizendo que a elite que se juntou ali para a reunião anual não é qualificada para resolver os problemas do mundo. REUTERS/Miro Kuzmanovic (SWITZERLAND)


O manifestante Alex Heideger, membro do Partido Verde de Davos, disse que essas eram as pessoas culpadas pela bagunça econômica

"São as mesmas pessoas que vieram no ano passado e disseram que a situação econômica estava boa, e agora estamos em meio a uma crise financeira. Agora é o contribuinte que tem de resolver todo o problema."

"São pessoas como eu e você que têm de pagar por isso com o dinheiro de nossos impostos."

Em Genebra, sede do Fórum Econômico Mundial, policiais jogaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar uma multidão que se reuniu em uma praça próxima à estação de trem, fazendo com que as pessoas corressem em várias direções. Testemunhas disseram que não parecia haver nenhuma violência por parte dos manifestantes.

O protesto nas ruas geralmente calmas da cidade não foram autorizados formalmente pelas autoridades.

Fonte