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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Brasil x Vaticano 2

Segundo pesquisa, favorecimento a uma crença faz fiéis discordarem de pacto do governo com o Vaticano

Pesquisa do instituto Ibope feita a pedido da organização não governamental Católicas pelo Direito de Decidir aponta que 75% dos católicos entrevistados discordam ou pelo menos têm restrições a um acordo fechado com apenas uma religião. O levantamento foi realizado para tratar do acordo bilateral assinado entre o governo brasileiro e o Vaticano, que agora tramita no Congresso.

Aprovada na semana passada pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara, a proposta tem 20 artigos que criam um estatuto jurídico e dão direitos à Igreja Católica no Brasil. Entre outros pontos regulamenta a forma do ensino religioso nas escolas públicas, prevê que o casamento oficiado pela igreja, caso siga também as exigências do direito civil, tenha valor jurídico e estabelece que o Estado brasileiro vai ajudar a preservar os bens móveis e imóveis, como igrejas e obras de arte.

A pesquisa do Ibope, no entanto, mostra que a proposta de dar privilégios a uma única religião desagrada à maior parte dos entrevistados, mesmo aqueles que poderiam, em tese, ter seu credo beneficiado. Entre os católicos, 44% acreditam que um acordo bilateral não deveria existir porque o Estado brasileiro não tem religião oficial. Outros 31% acham que aprovar um acordo desse tipo desrespeita as demais religiões.

O porcentual sobe quando as perguntas são feitas a pessoas de outra fé, como os evangélicos. Mas é maior ainda entre aqueles que se dizem agnósticos, ateus ou de religiões com menos expressão no Brasil, como espíritas e budistas. Entre esses, 82% reprovam o acordo.

"É um acordo totalmente inadequado e absolutamente na contramão do processo histórico. A cultura brasileira é de enorme tolerância religiosa. Dar privilégios a uma única religião vai contra a Constituição", diz Maria José Rosado, coordenadora da ONG Católicas pelo Direito de Decidir.

Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não há privilégios no acordo - a não ser pelo fato de que a religião católica é um Estado e, como tal, pode assinar um acordo bilateral com o governo brasileiro, o que não acontece com outras religiões. "A concessão de privilégios é uma mentira. Tudo o que está no acordo está na legislação brasileira. Se não agrada, então é preciso mudar a lei", diz dom Orani João Tempesta, presidente da comissão episcopal pastoral de educação, comunicação e cultura e arcebispo do Rio.

Já o Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que divulgou ontem uma nota na imprensa, vê o acordo como discriminação às outras religiões. "O Estado é laico, não pode privilegiar ninguém. Eu não quero privilégios para os evangélicos, mas não pode um Estado teocrático fazer um acordo desses com um Estado democrático", afirma a o pastor Silas Malafaia, vice-presidente do Cimeb. O texto terá de passar pelas comissões de Educação, Trabalho e Constituição e Justiça, antes de ir ao plenário. Depois, o mesmo processo se repete no Senado.

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Igreja britânica vai oferecer hóstia pelo correio

Bispo da Igreja Episcopal espera que demanda por website chegue a milhares.

Uma igreja episcopal independente na Grã-Bretanha deve oferecer, a partir do próximo dia 14, hóstias pela internet.

O novo serviço, da Open Episcopal Church, chamado "Host in the Post", deve atender não apenas às pessoas que não podem comparecer à missa por idade avançada ou problemas de saúde, como também às que acabaram se distanciando da religião.

O bispo Jonathan Blake disse: "A ideia de que elas (as pessoas) têm que ir a lugares para orar é algo que os pais tinham (...) Estamos levando a igreja a lugares onde ela não esteve antes."

Embora a hóstia pré-consagrada seja oferecida de graça, quem fizer o pedido tem que pagar embalagem e tarifa do correio. O serviço custa em torno de duas libras esterlinas (o equivalente a cerca de R$ 6). Quem quiser 500 hóstias de uma vez terá de desembolsar cerca de dez libras (o equivalente a cerca de R$ 30).

Blake disse que alguns críticos da iniciativa alegaram que a hóstia pode acabar nas mãos de ateus e satanistas, que podem usá-las para rituais impróprios, mas ele destacou que não está preocupado com isso.

"Jesus não fez essa distinção", afirmou. "Ele se doou a cada um e a todos. Não faz diferença, o corpo de Cristo é redentor."

O sacerdote disse que embora o serviço ainda não tenha começado, "milhares de pessoas manifestaram algum interesse" em usá-lo.

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